terça-feira, 12 de julho de 2011

TELEFONE



Toca o telefone
Insistentemente
Toca o telefone
Estatelam-se os meus olhos
Palpita-me  o coração
A respiração assustada e ansiosa
E toca o telefone
Insistentemente
Toca o telefone
Recomponho-me em meu leito
A escuridão é abismal
A mão direita se estende e curva
 sobre a minha cabeça
Buscando alcançar o grilo falante
Que sapateia entre o colchão
e a cabeceira da cama
E toca o telefone
Insistentemente
Toca o telefone
O bichinho é finalmente domado
Abro as suas asas
O seguro entre o ouvido e a boca
Ecoa meio rouco da minha caixa de ressonância
 um som peculiar e próprio meu: - pois não?
E ouço em resposta: - tudo bem com você?
É a voz da mulher amada que questiona
Preocupada do meu sono desavisado
Já não toca o telefone
Insistentemente
Já não toca o telefone
O bichinho de asas fechadas fora dormir
Eu, divagar-me em sonhos na noite escura e fria
Porque ela também fora dormir
Como é doce amar
Como é doce sonhar
Como é triste viver!

Marinho Oliveira
12/07/2012

ENIGMA




Por que amar tanto assim a uma só mulher
enquanto há tantas outras
pousadas em suas janelas
 e ansiosas por serem amadas?
Por que dedicar tanto assim da sua existência
 na expectativa de viver
um grande e exclusivo amor
enquanto há tantos outros amores 
prontos e ávidos por serem vividos? 
Por que dedicar de copo e alma 
a um único amor que não se ocupa de você
 enquanto há outros seres almas e corpos
 a esperar por alguém de quem se dedicar 
e trazendo nas palmas das mãos 
o amor do seu mundo?
:- Não olhes para mim
 não te darei resposta alguma! 
Se eu as soubesse, as perguntas, não faria.

Marinho Oliveira
12/07/2012