Toca o telefone
Insistentemente
Toca o telefone
Estatelam-se os meus olhos
Palpita-me o coração
A respiração assustada e ansiosa
E toca o telefone
Insistentemente
Toca o telefone
Recomponho-me em meu leito
A escuridão é abismal
A mão direita se estende e curva
sobre a minha cabeça
sobre a minha cabeça
Buscando alcançar o grilo falante
Que sapateia entre o colchão
e a cabeceira da cama
e a cabeceira da cama
E toca o telefone
Insistentemente
Toca o telefone
O bichinho é finalmente domado
Abro as suas asas
O seguro entre o ouvido e a boca
Ecoa meio rouco da minha caixa de ressonância
um som peculiar e próprio meu: - pois não?
um som peculiar e próprio meu: - pois não?
E ouço em resposta: - tudo bem com você?
É a voz da mulher amada que questiona
Preocupada do meu sono desavisado
Já não toca o telefone
Insistentemente
Já não toca o telefone
O bichinho de asas fechadas fora dormir
Eu, divagar-me em sonhos na noite escura e fria
Porque ela também fora dormir
Como é doce amar
Como é doce sonhar
Como é triste viver!
Marinho Oliveira
12/07/2012
12/07/2012