terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FOTOGRAFIA DA SAUDADE

Quanta saudade dos dias de ontem
Menino travesso sem nada a esperar
Querendo apenas que passassem os dias
Para ser homem e deixar de brincar

E passaram muitos dias e se foram
O homem tão cedo deixou de brincar
Mas trouxe consigo tanta saudade
Do tempo de outrora que não voltará

Hoje corre sem tempo é ânsia da vida
Em busca do pão para se alimentar
Naquele tempo de infância tinha tudo
Bastava sentar a mesa para degustar

Cuscuz servido no prato esmaltado
Café fumegante da chaleiro no fogão
O leite quentinho trazido da ordenha
Pelas mãos de um Rei para nos saciar

Começava ainda bem cedo a algazarra
Correndo os irmãos a brincar ou brigar
E toda àquela confusão era festa de paz
Na graça divina do cinto atrás da porta

Como os mágica  passaram os dias
Todos cresceram sem baixas ou avaria
Espalhados pelo mundo hoje grisalhos
São todos Reis e Cintos atrás de portas

Quanta saudade dos dias de ontem
Do tempo de outrora que não voltará
A fumaça nos olhos a lenha no fogão 
Mamãe de pé contende a cozinhar

Mas trago comigo toda essa lembrança
Fotografia que o tempo jamais  apagará
Somos todos ainda homens e meninos 
Deixemos de saudades e vamos brincar
...
Porque os dias de ontem não voltarão

Marinho Oliveira
24/12/2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

AME POR UM DIA

Em silêncio sorrindo para todos
Não resta outra vida senão finório
Estar alinhado e fingir felicidade
Aos ímpios neste mar de maldade

E vazia de sentido se torna a vida
O choro trazido pelo sevo desengano
Onde jamais se poderia imaginar
Caber tanta dor no peito de homem

E apertado o coração exprimido 
Torvo de vida num  mecânico pulsar
Já não sonha merecedor de ilusão
De um querer fiel do amor maior
  
Se sabes o que o esperas no amanhã
Para que correr em busca do amor
Que garlhando cravará teu peito 
A fazer de ti o mais triste dos homens

Então,
ame por um dia e sofra para sempre!

Marinho Oliveira
23/12/2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

SOLIDÃO A DOIS


Ávidos os meus olhos a procura dos teus
Que se escondem dos meus na paisagem de ti

Já não encanta a ti minhas juras de amor
Levando-me a loucura de um desejar maior

Quisera eu mergulhar nos teus pensamentos
Para descobrir o teu sofrer de um outro querer

E nesta solidão que junto a ti me encontro
A angústia é o conivente das minhas noites desperto

Já não vejo mais os teus cabelos ao vento
Nem o sorriso cativante nos lábios da mulher amada

E este teu acabrunhamento aterrorizante
Assusta-me! Fazendo de mim o amante abandonado

Mas vejo tristeza, angústia e lágrimas de dor 
Por Deus, vá! Não quero mais que sofras junto a mim


Marinho Oliveira


21/12/2013

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PRENÚNCIO

Todo o seu existir era triste
Até a saudade que sentia
Na dor que o atormentava
Em felicidade passageira

Imergido em pensamentos
Solitário a se questionar
Onde anda o grande amor
Que nunca tive e não vivi

No perfume das estrelas
Em lábios rubros de batons
Escondendo se de mim
Nas asas dos beija-flores

O amor não é para todos
Satisfaz-se ao concluir
Melhor sozinho ter a vida
Que com outro a dividir

...
E se adormece em solidão.


Marinho Oliveira
17/12/2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

LÁGRIMAS DA PAIXÃO

Mesmo que o amor o torture, sorria
Não compartilhe tristeza a ninguém
As chagas da paixão são indivisíveis
Mesmo que profundas cicatrizarão

São para alma  que choram os olhos 
Embargada de voz a seca garganta
No ardor febril d'um corpo a ausência
Que outra presença não suplantará

E tudo findará ao passar pelo tempo
Da cruz fendia ao peito se libertará
Aquela saudade doida será lembrança
Da gota de lágrima na face a queimar

E nesse momento será plena a vida 
Apagar-se-á saudades e lembranças
Não haverá tristezas nem lágrimas
Nem sonhos no sono que dormirás
....
Pois partirás cozinho como viestes


15/12/2013
Marinho Oliveira

domingo, 15 de dezembro de 2013

TIMONEIRO ILUDIDO



Você sabe que o amor é mesmo assim
Que a distância é o infinito no eterno
Elo perene e ao mesmo tempo tão frágil
Que dissolve ou eterniza sentimentos

Todo grande amor é  um mar de solidão
Navegado por uma nau flutuante a deriva
Tripulado de um iludido e ébrio timoneiro 
Do canto da sereia que o levará a náufrago

O amor é mesmo assim e você o bem sabe
É como céu pendurado de estrelas no azul
E que a beleza não passará de uma noite
A se derreter nos raios do sol da manhã

Todo grande amor é imenso mar de ilusão
Não há outro que equivalha ao primeiro
Assim como canta o poeta sozinho a sua dor
O perene eternizado será sempre ímpar
E o amor um invisivel sonho de felicidade
Cantado por loucos no oceano da paixão

Marinho Oliveira
15/12/2013


sábado, 14 de dezembro de 2013

CÁLICE VAZIO

Não bebi da vida um gole de amor;
Não bebi da vida um beijo de amor;
Não bebi da vida um abraço de mor;
Não bebi da vida uma lágrima de amor;
Não bebi da vida uma despedida de amor!
Por isso:
Não darei à vida um gole de amor;
Não darei à vida um beijo de amor;
Não darei à vida um abraço de amor;
Não darei à vida uma lágrima de amor.
Não darei à vida uma despedida de amor;
Não cantarei à vida um gole de amor;
Não cantarei à vida um beijo de amor;
Não cantarei à vida um abraço de amor;
Não cantarei à vida uma lágrima de amor;
Não cantarei à vida uma despedia de amor!

Quando partir terei a honra de estar sozinho
Não deixarei saudades e corações enlutados
Nem lágrimas e histerias de um falso amor
 ...
Serei apenas eu no barco fúnebre da partida

Marinho Oliveira
14/12/2013