Quanta saudade dos dias de ontem
Menino travesso sem nada a esperar
Querendo apenas que passassem os dias
Para ser homem e deixar de brincar
E passaram muitos dias e se foram
O homem tão cedo deixou de brincar
Mas trouxe consigo tanta saudade
Do tempo de outrora que não voltará
Hoje corre sem tempo é ânsia da vida
Em busca do pão para se alimentar
Naquele tempo de infância tinha tudo
Bastava sentar a mesa para degustar
Cuscuz servido no prato esmaltado
Café fumegante da chaleiro no fogão
O leite quentinho trazido da ordenha
Pelas mãos de um Rei para nos saciar
Começava ainda bem cedo a algazarra
Correndo os irmãos a brincar ou brigar
E toda àquela confusão era festa de paz
Na graça divina do cinto atrás da porta
Como os mágica passaram os dias
Todos cresceram sem baixas ou avaria
Espalhados pelo mundo hoje grisalhos
São todos Reis e Cintos atrás de portas
Quanta saudade dos dias de ontem
Do tempo de outrora que não voltará
A fumaça nos olhos a lenha no fogão
Mamãe de pé contende a cozinhar
Mas trago comigo toda essa lembrança
Fotografia que o tempo jamais apagará
Somos todos ainda homens e meninos
Deixemos de saudades e vamos brincar
...
Porque os dias de ontem não voltarão
Marinho Oliveira
24/12/2013