As asas que ansiosas batem
E voam dentro de mim
Levam-me a lugares
Nunca dantes visitados
Nunca dantes pisados
Nunca dantes explorados
Nunca dantes vigiados
Nunca dantes expiados
E essas mesmas ansiosas asas
Que batem e voam dentro de mim
Reconduzem-me de volta
De todos os lugares até então
Nunca dantes visitados
Nunca dantes pisados
Nunca dantes explorados
Nunca dantes vigiados
Nunca dantes expiados
E nesse desenfrear frenético do ir e vir
Que minhas ansiosas asas governam-me
Levando-me de dentro para fora
E de fora para dentro de mim mesmo
Num universo de gritante mistério
Às vezes embaraço-me no regresso
A confundir-me com outro errante
Se aquele que está de volta sou eu
Ou se será o Eu de outro viajante
Errante que perdido em suas buscas
Perdeu também o ponto do seu pouso
Sei sou eu o“Eu” do retorno modificado
Das maravilhas vividas das jornadas
Pois a cada ir e vir regresso trabalhado
Certo que me lembro de todas as chaves
De todos segredos guardados em mim
E o Eu do retorno sou eu transformado
E não outro Eu a ocupar-se do eu em mim.
Marinho Oliveira
08/09/2014