quinta-feira, 18 de novembro de 2010

VOU PARAR O MUNDO

Hoje vou parar o mundo e confundir as coisas
Vou derrubar as matas a revirar os rios lamacentos
Misturar a terra vermelha com o azul do céu
Amarrar no mangueiral do meu quintal a lua  prateada
Na janela da minha infância pregar o sol amarelo
E no teto do meu quarto dependurar as estrelas
Quero hoje beber todas as águas que há nesse mundo
Nun serimonial caótico vomitá-las em inóspito deserto
Vou inalar toda areia daquele chão esbranquicento e escorrido
Só para ver o tamanho do buraco  por mim aberto e criado
E ver como dizia o velho negro e escravo da  fazenda
Se é alí que fica a porta que nos leva ao cerne do inferno


Marinho Oliveira
18/11/2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

OS SONHOS

Os sonhos da vida são pedaços da alma
Desprendidos dos olhos a bailar no infinito
Onde buscamos em nossa vã insanidade
Agarrá-los de mãos fechadas e punhos cerrados

Abram vossas mãos senhores não tenhais medo
Não há nada dentro dela apenas suor e sal
Agora contemplando o nada fitai o azul do céu
E cuidadosamente feche vossas mãos bem devagar
Pronto.  Vossos sonhos estão presos nelas
...
Cuidado! Não aperte! Esqueci de avisá-los que
Os sonhos são frágeis e muito escorregadios

 Marinho Oliveira
17/102010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

CÂNTICO DAS INTENÇÕES



Quero hoje cantar a cantiga dos tristes
Dos homens que trazem nebulosas almas
Daqueles que nunca tiveram um romance
Um segredo ou mistério para se guardar

Quero hoje cantar a cantiga dos choram
Das mulheres de alma presa em porta-retratos
Daquelas que nunca foram levadas às estrelas
Num doce suspiro ou gemido de agudo prazer

Quero hoje cantar a cantiga dos rebentos
Das inocentes crianças embaladas em sonhos
Nos quintais a brincar princesas e príncipes
Plebeus do amanhã depois da noite e do despertar

Quero hoje cantar a cantiga dos micróbios
Dos que sonharam e viveram na eterna ilusão
Daqueles que filhos criaram e morrem sozinhos
Aos cuidados de  filhos estranhos e de outros

Quero hoje cantar a cantiga da minha solidão
Das mulheres que amei em todas as estações
Daquelas que apenas vampirizaram meus sonhos
Hoje morrem sozinhas iguais a mim fitando o ontem

Quero hoje cantar a cantiga de todos os seres
Dos homens que trazem nebulosas almas
Das mulheres de alma presa em porta-retratos
Das inocentes crianças embaladas em sonhos
Dos que sonharam e viveram na eterna ilusão
Das mulheres que amei em todas as estações
E cantarei por minh'alma presa e despresada

Marinho Oliveira
16/11/2010