Às vezes demora-se muitas estações para que percebamos a claridade das passagens nas intrínsecas articulações dos interesses de cada um de nós; contudo, como as águas de um rio o movimento é constante e não podemos fugir a ele, que por certo, revelará o porquê de cada atitude; o porquê do jogo perverso e cruel; o porquê de cada máscara calçada em todos os nossos dias; o porquê dos sorrisos engessados a dentes perolizados de puro escárnio; o porquê das frias lágrimas desprovidas de sentimentos; o porquê de nos apresentarmos frágeis se tudo já está pensado dentro de um plano bem arquitetado; o porquê de nunca sermos aquilo que somos aos olhos do outro. Essa consciência, às vezes, nos é lúcida; mas nos falta dignidade para assumi-la diante dos desprotegidos, porque se o fizermos, irá contrariar os nossos interesses. Lamentavelmente!
Marinho Oliveira
14/09/2014