sábado, 18 de julho de 2015

AMAR É SER LIVRE

 
 
Sempre pensei no amor como um sentimento sereno, um fio invisível de liberdade a ligar emoções entre duas ou mais pessoas, e não como uma circunstância de ocasião a propiciar a posse, a tornar cativo o outro para a satisfação do egoísmo doentio daquele que diz “eu te amo”. Amar a outrem ou ser amado é não ter, é não ser, é estar. É estar livre para voar rumo a novas emoções sem temer o abismo, é contribuir para que a pessoa objeto desse amor seja também livre para voar sem restrição de tempo e espaço. Pois o verdadeiro amor é desprendido de ambições e colheitas, é aquele que traz felicidade a quem ama mesmo quando a pessoa amada está feliz a dormir em outros lençóis. A mar é não querer para si alguém que não o deseja na mesma carne! 

Marinho Oliveira
18/07/2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

AMIGOS & RÓTULOS





Chega-se a uma fase da vida em que se é ridículo experienciar novos e outros sentimentos, mas também é ridículo se curvar aos dogmas do puritanismo pudico e não os experienciá-los, visto que a vida se constrói daquilo que vivemos e também daquilo que deixamos de viver durante os anos dessa nossa mesquinha e medonha existência. Como pode alguém dizer não estar pronto para viver novos e quaisquer sentimentos, amores, paixões, desilusões, e até mesmo o luto que cobre o fim de algumas esperanças, se outros tantos sentimentos foram vividos antes mesmo de aprontarmo-nos para vivê-los? Será que "o viver" ao invés de descomplicar complica-se ainda mais a cada instante e a cada dia o que se vive ou possa ainda ser vivido? Ou será que são os homens que estão se tornando cada vez mais rudes, juízes carrascos cruéis consigo e com o outro? Se nos cabe responder a tais perguntas numa perspectiva de compreensão que seja mais ou menos lógica, calçada em nossa filogenia, história de vida, e nos impositivos da cultura, melhor então fechar os olhos e lançarmo-nos nas avenidas com os olhos vendados entre os automóveis desgovernados, a ter de enfrentar a fúria humana dos rótulos de valor espumantes da saliva daqueles que cuidam das nossas vidas mas não pagam as nossas dívidas. Por isso costumo dizer que há menos risco estar na pista com automóveis desgovernados a estar em companhia de certos “amigos”



Marinho Oliveira

30/06/2015

BOLACHAS!




Enquanto hoje conversava com uma ave em meu quintal, silenciosamente ela respondia-me apenas com gestos graciosos de sua cabeça erguida contra o sol meio desfalecido, visto que aquela inocente alma não dispunha do aparelho fonador dos humanos, encontrando-se assim impedida pelo destino de contra-argumentar para os meus ouvidos e afetos. Mas ela compreendia todos os sentimentos a que eu exprimia, ora discordando ora concordando, manifesto claro no seu ritual simbólico de se expressar, no girar para frente, para trás, para baixo e para cima, e no ato do serpentear o crânio que se movia como a um pêndulo no ar. Por fim, provavelmente, entediada das minhas argumentações lamuriosas bateu asas e voou, deixando-me a sós, prostrado em uma cadeira depositada sob a sombra de uma jabuticabeira, em uma tarde de sol mortiço sem nada esperar, sem nada a propor. Naquele momento veio-me uma centelha de lucidez, foi quando perguntei a mim mesmo: - ora pois, como estás a conversar com uma ave, perdeste o juízo meu rapaz, enlouquecestes, pois não sabes tu que certas aves não falam, são irracionais para o entendimento dos homens, não sabes tu que elas apenas gorjeiam?; então, o que fazes tu a estas horas sentado a uma sombra e a conversar com um pássaro do peito amarelo?; responda-me se se achas que és um homem! Sem uma resposta que fosse plausível, entre a lucidez e a loucura, silenciei por alguns instantes, olhei para mim mesmo como a se desculpar de mim, meio acabrunhado, olhei para os lados para me aperceber se vizinhos não fitavam os seus olhos em mim, como costumam fazer os cuidadores da vida alheia, e como não haviam pares de olhos depositados sobre esta carcaça, dei de ombros, desisti das minhas arguições, e num gesto de humildade a dar razão à minha racionalidade irracional, caminhei a passos lento até a cozinha, preparei um café e o tomei com bolachas. Nessas horas, as bolachas se tornam as melhores companhias! Está servido?

Marinho Oliveira
30/06/2015

sábado, 20 de junho de 2015

CAMA & SENHORA


 

Para todas as manhãs o fim está no escurecer
...
Na algazarra dos pássaros clareia-se o dia
O relógio convida-nos para a realidade da vida

Enquanto desperto de uma cama quase deserta
A calar do relógio a campainha o seu tormento

Sento-me à beira da cama a calçar das sandálias
Levanto-me a atender as iniciais necessidades
No espelho ao barbear fito um olhar perdido
Na confusão que se cria de se perguntar a mim 
Aonde estará a dona das flores e das estrelas

Estranha pergunta  de 
se fazer eu a mim mesmo
Sei onde andas, a cama e companhia da noite
Mas finjo à realidade nessa loucura das aparências

Reprovo-me a chamar-me de tolo acriançado
Vou para lida como a rés caminha ao abatedouro
No fim do dia regresso à minha cama  senhora
Durmo meu sono sem sonhos de expectativas
E na manhã seguinte tudo se reproduz
Marinho oliveira
20/06/2015

DESTINO



 
 
Se eu fosse homem de fé
Pediria aos pássaros para vigiá-la
Não a vigília do cerceamento
Da castração, do tolher a liberdade
Mas a vigília do dar assas para voar
Do cuidar para que vivas teus sonhos
Mas como não sou homem de fé
Apenas contemplo as possibilidades
Quando todos os dias ao pensar em ti
Que sejas no mundo a mais feliz


Marinho oliveira
20/06/2015

DELÍRIO



Se eu pudesse beber no cálice da tua boca
Certamente seria saciada a minha sede amar
Se meu corpo estivesse enlaçado nos teus braços
Banhado do suor do nosso prazer em êxtase
Os nossos suspiros teriam o aroma das rosas
E os nossos gemidos o brilho das estrelas

Como é doce pensar em você toda nua
Despida da maldita pele que o homem criou
Por que ocultar dos olhos essa formosidade
Se é por ela que sonho e eternamente vivo

Desejoso da febre de mergulhar-te amar e viver

Marinho oliveira
20/06/2015

domingo, 1 de fevereiro de 2015

ÁGUA NOSSA DE CADA DIA. CURTO E GROSSO!!!!!



 
 
 
Caríssimos, não sou Geólogo e não tenho embasamento científico para afirmar como verdade absoluta o que estou dizendo, mas vale uma reflexão acerca do assunto “água”. Já a algum tempo, a humanidade vem sofrendo com a escassez da água que a cada ano vai minguando em seus nascedouros e, em consequência, os rios vão se tornando riachos, e, se assim continuar, em breve, teremos apenas o leito seco de um local onde um dia era um rio. Vocês já se perguntaram, seriamente, por que isso vem acontecendo? Acredito que não! Mas tenho quase certeza, que influenciados pelo discurso das mídias patrocinadas pelos governantes, já se sentiram culpados por lavar um prato ou dar descarga no banheiro para mandar embora um xixi ou cocô; lavar calçada ou dar uma ducha rápida no carro - nem pensar, pois a nossa consciência, dada a influência que sofremos dos discursos, nos diz que estamos desperdiçando água e ela nos fará falta no futuro, tanto para nós quanto às futuras gerações. Como eu disse, não posso provar nada, não sou Geólogo, estou apenas levantando algumas suposições  que me apontam indícios e quero repassá-las a vocês. Quem sabe o meu entendimento sobre o assunto encontra eco? Pois bem: nos reservatórios de água - lagoas e lagos - há uma válvula de escape, popularmente chamada de “ladrão”, e que serve para escoar a água que ultrapassa os limites da capacidade e para evitar o risco de rompimento das barragens. Essa água que escoa vinte e quatro horas por dia vai abastecer os rios e seguir seu curso normal, uma parte vai evaporar, outra parte infiltrará no solo e a sobra vai desembocar no mar; outra parte da água é essa que usamos nas residências para todas as atividades de um lar, e que depois de seu uso também irá se escoar pelas redes até atingir uma estação de tratamento, isso para as cidades e municípios que dispõem desse sistema, e por conseguinte chegará ao leito de um rio e fluirá naturalmente até desaguar no mar; a água que usamos para lavar a calçada, o carro ou qualquer outro expediente em nossos lares também passa por esse processo, a parte que não atingir as redes coletoras irá evaporar ou infiltrar na terra unindo-se às águas do nosso lençol freático. Então, o que estou dizendo é que até agora nenhuma gota de água se perdeu, ou ela evaporou ou se infiltrou na terra indo se juntar ao lençol freático, ou então foi cumprir o seu destino e desaguar no mar. Se assim o é, o que vai acontecer com essa água? Sabemos que a água evaporada irá retornar à terra pelo fenômeno que conhecemos como chuva; a água que se juntou ao lençol freático irá ajudar na pressão que faz com que as águas brotem nos nascedouros; a água que se juntou ao mar irá se tornar salgada, e estas quando se evaporam retornam à terra quando das chuvas como água doce, potável, caindo em quaisquer das regiões da terra conforme orientação dos ventos para as nuvens. Mas se é assim, por que a água está sensivelmente diminuindo? Eu tenho por mim que a água não está diminuindo. E para comprovar isso a olho nu basta examinarmos o nível dos mares e oceanos. Você já observou as praias aumentando pelo afastamento das águas oceânicas? Penso que não constatou esse fenômeno. Nos basta observar as cidades litorâneas para perceber que as águas dos mares estão é avançando sobre as calçadas e em muitas dessas cidades, já estão construindo barreiras para impedir esse avanço. Então, o que é que está acontecendo para a água estar minguando nas nossas torneiras? Vou tentar explicar isso de um modo simples e de fácil compreensão, e espero que algum Geólogo saia de cima do muro e desminta esse discurso propagado pelas mídias “patrocinadas pelos governantes”. Pois bem: nós sabemos que a água não se mistura ao petróleo, certo? O nosso subsolo é constituído de vários minerais e a terra formando-se a crosta terrestre. Em meio a esses minerais há alguns bolsões que são preenchidos de petróleo, gás, água, e etc.; e desses, graças ao seu peso e textura dos seus elementos, eles não se misturam; e a água é aquele que fica na superfície, mais próxima da crosta terrestre. E graças a pressão gravitacional, os movimentos da terra e novas águas chegando ao lençol freático, ela é pressionada e brota constante nos seus nascedouros. Então, o que está acontecendo com a nossa água? Simples! A cada dia estamos extraindo mais e mais petróleo, gás e outros minerais, são milhões e milhões de barris a cada dia e em todo o mundo. O petróleo não se renova para preencher o espaço vazio do qual foi extraído, assim como acontece com a água que sempre retorna à terra por meio da chuva; Nesse processo, o espaço que antes era ocupado pelo petróleo e outros minerais está agora sendo preenchido pela água que está se tornando cada vez mais profunda, e assim, com maior dificuldade para jorrar onde antes era farta. Então, se queremos ter água farta, basta diminuir a extração do petróleo e em pouco tempo teremos água nascendo até na cabeça do cristo redentor no Rio de Janeiro.

Marinho Oliveira
1 de fev. 2015




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A PRINCESA O DRAGÃO E MONSTRO






...era uma vez, em um castelo não muito distante, vivia uma linda princesa de longos cabelos negros e os seus sonhos de um dia se tornar uma bela e justa rainha. O seu esplendoroso castelo era margeado pelo vilarejo Trivarg, e tinham os seus alicerces incrustados entre as raízes das montanhas que circundavam aquele vale. Porém, o castelo era um tanto quanto estranho, não havia súditos nem servos e a princesa estava quase sempre sozinha. E, embora o conforto e a beleza dos seus aposentos beirassem aos encantos dos grandes e míticos contos imaginários, a sua única companhia no alto daquela torre de tão majestoso castelo - era a solidão. Mas ela não estava confinada em seus aposentos, como quase sempre acontece naqueles contos em que as madrastas são terríveis vilãs, e por ciúmes encarceram as enteadas por serem, geralmente, muito mais lindas do que elas. Não! A princesa não tinha madrasta e era livre como os pássaros, podia sair a hora que quisesse, quando e com quem quisesse. Para isso bastava apenas eleger alguma jovem senhorita ou senhora do vilarejo como dama de companhia, ou mesmo um corajoso cavalheiro para cortejá-la pelos arredores nas suas caminhadas matinais ou para contemplar a lua e as estrelas. Mas os dias foram passando e com eles vieram os anos, e a princesa que antes era muito feliz e vivia os seus dias a bailar por entre flores, a contar estrelas e asas de borboletas, começou a ter noites de insônia perturbada por um grande e terrível monstro que a visitava quase todas as noites; e, por fim, nos últimos tempos, também durante os dias, fazendo-a se perder na confusão dos pensamentos e devaneios. Ela, sempre alegre, delicada, doce como um anjo a passear por entre as nuvens de algodão, tentava agora, astutamente, convencer a terrível besta a deixa-la em paz; dizia-lhe gentilmente que aquele caminho apontado pela fera não era o seu destino. Estrategicamente, o monstro se afastava mas não se convencia. Mas, assim que a princesa se distraia ele sempre reaparecia, como se surgisse do nada, e cada vez mais ameaçador e aterrorizador. Até que um dia, esgotada as possibilidades do diálogo diplomático, decididamente ela armou-se de guerreira para enfrentar a besta-fera num duelo de combate e disposta a ir até as últimas consequências do seu ato. Ao perceber a intenção da princesa a fera se refugiou num pântano lamacento e destinado ao abrigo dos monstros. Corajosamente a princesa seguiu os seus instintos de guerreira. Para não chamar a do povoado do vilarejo, pessoas a quem a princesa estimava e não queria expô-las às ameaças feita pela fera, dada a sua perigosa decisão, ela resolveu agir em segredo. Também, o que a instigava a agir silenciosamente era o fato de que, aquela gente, embora humilde e de bom coração, sempre demonstrara muita curiosidade em relação à vida alheia; e, principalmente, quando se tratava da vida de uma princesa e dos seus entretenimentos e planos. Naquela tarde ela entrou no castelo como sempre o fizera, trancou as portas, as janelas dirigindo-se aos seus aposentos no alto da torre. E todos do vilarejo que tinham as suas atenções voltadas para ela, tiveram a certeza de que a princesa ia descansar. Pensaram que ela ia dormir e desviaram os seus olhadres daquela edificação. Mas, astutamente, ela organizou três malas com roupas, suprimentos e tudo mais que ela supunha precisar na batalha que pretendia travar contra a fera que a atormentava. Preparadas as malas, a princesa amarrou-as em uma longa corda e as lançou torre abaixo, descendo-as cuidadosamente para que não se espatifassem ao tocar o chão; depois, retirou do esconderijo secreto a sua armadura que havia sido construída por um velho bruxo, amigo dos seus pais e lhe dado de presente por ocasião do seu aniversário de quinze anos. Era uma armadura que a tornava invisível aos olhos dos homens e que a protegida de todo mal. A princesa vestiu-se dela, a armadura magicamente se ajustava ao seu corpo como as luvas nas mãos, empunhou o escudo de bronze, pendurou nos ombros a tiracolo o arco e as flechas de pratas, esgueirou-se sorrateiramente escada abaixo por entre o túnel de folhagens que recobriam os degraus da escada do alto da torre até a relva verde que cobria a terra aos seus pés. Naquele momento um só pensamento passa pela cabeça da linda princesa: vencer o monstro que a perseguia e retornar feliz para o seu castelo como se nunca houvesse se ausentado dali. E assim, bravamente a princesa vai dar início a sua épica jornada na batalha que iria travar para exterminar a besta-fera que insistia em importuná-la; primeiramente em seus sonhos, depois, até mesmo nos seus momentos de alegria quando ele misteriosamente surgia assumindo a forma disfarçada de um belo príncipe, que lhe convidava para bailar e gargalhava dissipando aos seus olhos como uma ilusão enredada na cortina de uma nevoa de fumaça esbranquiçada. Enquanto a princesa descia os degraus da escada o seu coração batia mais forte e acelerado. Mas, desistir, não foi um pensamento que naquele momento pudesse ter sombreado os seus pensamentos para modificar a sua determinação de guerreira. Ela jamais desistiu dos seus propósitos e objetivos. Determinação sempre foi o seu lama! No momento em que a princesa tocou com a ponta dos seus delicados dedos dos pés a relva ainda úmida pela chuva fina que caíra momentos antes, ela teve a sensação de milhões de dedos a lhe fazerem cócegas e sorriu - um risinho tímido e feliz. Mas era só a ponta das folhas eriçadas pelo orvalho a lhe dar um pouquinho de afago e nada mais empolgante que isso. O pior ainda estava por vir, e ela ingenuamente nem se dava conta disso. A princípio tudo parecia estar fluindo conforme os seus planos. Ao pé da torre, escondido entre os arbustos para não chamar a atenção do vilarejo, o seu fiel e inestimável amigo de muitos anos a esperava. Era um exemplar de uma espécie rara dos dragões voadores; e estes, quando tornam-se amigos são confiáveis e leais para toda a vida. Ah, você quer saber como o dragão ficou sabendo que a princesa ia entrar em batalha? Bem, todos os dias um beija-flor a visitava em sua torre, ela o recebia sorridente e lhe oferecia néctar e mel em rosas brancas. Em agradecimento ele pousava na grade da sua janela e cantava horas e horas para alegra-la. Então, numa certa manhã quando o beija-flor a visitou, depois de alimentá-lo, ela gentilmente pediu-lhe para avisar ao dragão que viesse para socorrê-la. Como o dragão era um gentil cavalheiro, ele não iria deixar uma princesa em apuros, não é mesmo? E tão logo foi avisado do que se passava, o dragão disse ao beija-flor que comunicasse a princesa o dia e a hora em que estaria a sua espera ao pé da torre. E assim foi feito. Na madrugada do dia e hora marcados, o dragão abandonou a sua caverna e alçou voo rumo ao vilarejo onde ficava o castelo da princesa. Quando chegou ao seu destino o sol ainda não havia raiado e todo o povoado ainda dormia. Para não chamar a atenção, ele pousou silenciosamente e se abrigou por entre as árvores a espera da hora combinada para o seu encontro com a princesa, a quem, durante toda a sua vida, procurou servir como um servo fiel. A princesa ao vê-lo sair do meio dos arbustos, apesar da aparência um pouco assustadora, própria dos dragões, ela sorriu aliviada e correu em sua direção e o abraçou como fazem os grandes amigos. Eu diria que a princesa estava um pouco eufórica naquele momento! Percebendo o estado emocional de sua majestade, o dragão dobrou os joelhos e se curvou aos seus pés. Ela lhe fez um carinho na testa, o beijão na face, sorriu o mais belo sorriso de princesa e ordenou que ele se pusesse de pé. Quando esse reencontro se deu o sol já estava quase se pondo, mas resolveram esperar um pouco mais até o começo da noite, para saírem sem despertar a curiosidade e a atenção dos moradores. Quando a noite chegou e o céu já estava coberto pelas estrelas como um tape azul enfeitado de pingos de ouro, ela colocou as caixas nas costas do dragão amarrando-as de cordas para não perdê-las na viagem; e, por fim, montou pela primeira vez em um dragão, mas o fez com tamanha maestria e desenvoltura que só é própria dos grandes domadores de dragões. Ele ficou feliz e bateu suas grandes asas e voou como se estivesse levando a princesa para as estrelas, e cruzou o céu por sobre o vilarejo como um raio indo rumo ao campo de batalha, carregando em si, a mais linda de todas as princesas que um dia pisou nestas terras. Penso que se o dragão não fosse apenas um dragão, se fosse meio humano, ele se apaixonaria pela princesa, graças aos seus encantos. Mas ele era apenas um dragão e sabia disso, teria de se curvar ao seu destino de dragão e conformar com a sua sorte. então, o dragão concentrado em sua tarefa voava por entre as nuvens, bem alto, para manter-se discreto aos olhos dos homens, para que ninguém soubesse a preciosidade e significância da pessoa que ele fora  o escolhido para transportar. A primeira parte da viagem pode se dizer que transcorreu bem, embora tenha ocorrido alguns contra tempos, muitos raios, trovões, nuvens pesadas, chuva torrencial, muitos dragões voando em mesma direção e outros em direção contrária, fazendo com que o ar ficasse um pouco rarefeito e o voo muito mais lento. E, embora o dragão no qual viajava a princesa fosse já experiente, turbulências existiram e incomodaram um pouco o sossego da viajante; mas, no final, o primeiro percurso foi cumprido sem maiores percalços. Outros dragões, também tripulados e que estavam de viagem não tiveram a mesma sorte. Talvez por ser menos experientes ou pela pressa desmedida, tentaram arriscar por pequenos atalhos para encurtar a distância e acabaram se chocando uns contra os outros, em rochas, ou foram atingidos por algum raio e caíram feridos, não conseguindo cumprir o seu destino de viagem. Por sorte, com o dragão em que viajava a princesa nada de pior aconteceu. Após várias horas de voo ela finalmente foi entregue ao seu primeiro destino, um castelo amigo onde ela pernoitaria e descansaria por dois dias, para só depois prosseguir viagem. Ao desembarca-la junto ao castelo onde ela descansaria por alguns dias antes de seguir viagem, o dragão teve a sua voz embargada e, de longe, eu juro que pude sentir umas gotinhas de lagrimas escorrendo de seus olhos. Mas isso seria impossível, dragão não chora! Dizem até que são muito insensíveis e antissentimentalistas. Mas não sei, não entendo muito de dragões. Sei apenas que ele ergueu voo e saiu sem olhar para trás rumo a sua caverna para se hibernar e cumprir a sua sorte. A princesa depois de descansar e recompor as suas energias, deveria partir para cumprir a segunda e derradeira etapa de sua viagem, e, finalmente, chegar ao campo de batalha que silenciosamente a esperava. Mas o dragão que a conduzira ao seu destino de luta seria outro. Ela não o conhecia muito bem, mas como a primeira viagem foi bem sucedia a princesa estava confiante e obstinada do seu propósito. Quando o segundo dragão chegou ela já o esperava com todas as suas malas e armas. E prudente, não se descuidou de se. Como em sua primeira etapa da viagem, ela amarrou as malas nas costas do dragão, e se manteve atenta para não ser surpreendia  durante o voo. Se o monstro surgisse inesperadamente, ela estava preparada, pois viajou vestida de sua armadura, escudo em punho e flechas de prata a tiracolo. Tendo passado alguns dias da viagem, o dragão já se encontrava em sono de hibernação em sua caverna, e numa certa manhã, o beija-flor o visitou para contar-lhe que naquela manhã, a princesa finalmente estrou em batalha. Mas o Beija-flor não soube dizer em detalhes tudo o que acontecia, pois ele só estava dizendo aquilo que disseram a ele - e sabemos como as coisas são distorcidas quando contadas por mais de um, não é mesmo?O dragão, para ser gentil, ouviu atentamente a fala do beija-flor; depois se despediram e ele fechou os olhos desejando sorte a sua linda princesa, e como nada podia fazer para ajudá-la, voltou a dormir. As últimas notícias que chegaram para o dragão é que a princesa encontrava-se em campo de batalha, desfiando fortes e contundentes golpes com o seu escudo tentando aniquilar a fera; mas ele sempre arredio se refugia, que vez por outra ela tinha a oportunidade de lançar uma de suas flechas de prata e estas seriam fatais ao monstro caso o acertasse. Mas sempre que essa oportunidade surge aos seus olhos, não era de fato a fera que estava diante de si, e sim uma ilusão provocada por ele e que se dissipa como uma fumaça de cigarro lançada ao vento. Não se sabe ao certo quando a princesa irá retornar para o seu castelo, pois quando ela está empenhada em um objetivo ela vai até o fim. Na noite passada, o dragão sonhou que ela estava vencendo e que aluta estaria próxima do seu fim, e caso a vitória fosse confirmada, a aprincesa estaria retornando coroada com os louros por seu feito. Mas foi apenas um sonho, e não se pode dar fé aos sonhos de dragões. Ademais, todos nós sabemos o quanto é difícil vencer o monstro da solidão, não é mesmo? Mas ele continua torcendo por ela, até que...

19/01/2015
Marinho Oliveira

sábado, 3 de janeiro de 2015

COISAS QUE INCOMODAM MAS OS HOMENS NÃO FALAM



Senhoras,

A maioria dos homens são seres muito educados. Não parecem, mas são! Poucos são os homens que assim como eu, bateu levou, não gostou falou. Os homens são seres genuínos, autênticos na essência física; podemos até ter alguma falha de caráter, mas isso não é coisa só do homem - a falha de caráter também pertence ao universo das mulheres. Porém, quanto a aquilo que somos na aparência não há dubiedade, somos o que somos e pronto. Uma mulher quando, ao conhecer um homem, ao olhar e conversar com ele, ao tocar as suas mãos ela consegue medir e avaliar, aproximadamente, o produto que está diante de se - tanto em cultura quanto em atributos físicos. Isso, porque, o homem ao se preparar para sair vai lá e toma uma chuveirada rápida, usa o mesmo sabonete para lavar desde a sola dos pés aos fios de cabelos - para aqueles que os têm; não se complica e veste uma roupa normal, esborrifa um pouco de um perfume qualquer que estiver dando sopa em um canto da casa e pronto. Lá vai ele para a batalha do dia! Já a mulher não, primeiro aquela ducha demorada como se chuveiro emagrecesse, depois aquele tempo enorme gasto diante de um espelho para construir de maquiagem um novo rosto sobre o seu; para vestir escolhe uma calcinha com enchimento aparentando ter um bumbum grande, um sutiã com armação para deixar os seios olhando para as estrelas, e, por fim, para impressionar o mundo, as outras mulheres e não os homens, escolhe uma roupa de princesa ou rainha. Mas se esquecem que ao sair para caçar, se fisgar alguém, a roupa terá de descobrir o corpo e deixá-lo a mostra como as palmas das mãos, que ao tirar o sutiã os seis que antes contemplavam as estrelas, atraídos pela lei da gravidade e irão quase beijar o umbigo, e o bumbum grande e arrebitado vai ficar parecendo uma tábua de passar roupa quando tirar a super e poderosa calcinha. Outra coisa muito estranha é o que acontece com os cabelos de uma mulher quando ela pensa em mudança. Para mudar, ser ou ficar diferente, a maioria das mulheres cortam os cabelos, os colorem ou descolorem para ganhar uma outra cor que não seja a sua cor verdadeira, isso para ajuda-las no disfarce; como se os coitados cabelos fossem os culpados dos seus problemas mal resolvidos. Mulheres, seus cabelos não têm culpa de nada, nem mesmo de terem crescido em uma cabeça confusa - mas são eles quem pagam o pato! A loira quer ser morena, a morena quer ser ruiva, a ruiva quer ser qualquer outra coisa que não seja ela e assim por diante. Daí, partem para a ação e cortam ou pintam sofridos cabelos que, normalmente, já passaram antes por várias transformações químicas através das chamadas "chapinhas", das escovas, dos enrolam, torcem, esticam, alisam e os cambaus; mas o pior disso tudo é que a maioria das mulheres ao fazerem isso, pintam somente os cabelos da cabeça se esquecendo que em outras áreas do corpo também tem cabelos, pelos que deveriam receber o mesmo cuidado que receberam as madeixas, como por exemplo as sobrancelhas, os pelos dos braços e pernas que não foram objetos da depilação por questão de gosto ou economia, pelos pubianos, sovaco não vou nem falar – devem ser depilados a laser para não nascerem nunca mais - é horrível uma mulher ao levantar os braços fazer surgir aos olhos de outros a sua criação particular de taturanas. Tudo isso tem de ser pintado porque é o conjunto que será visto, é o todo! E é muito estranho sair com uma mulher de várias tonalidades e outros falsos atributos de gostosura. Não briguem comigo ainda, leiam até o final para só assim fazerem o julgamento, pois tenho os meus motivos para me indignar. Sei que aos olhos de muitas mulheres as minhas palavras vão ganhar o tom de uma grosseria descabida e imperdoável, mas juro que não se trata de uma grosseria e explico o porquê: estando eu em um determinado local, eis que encontro a mulher ideal, perfeita sob luz do ambiente; fala doce e meiga, sorriso perfeito e quase surdo, possuidora de um corpo com atributos desejáveis para quem aprecia a espécie. A conversa agradável desenvolvia entre nós enquanto as horas iam passando, e quando percebemos já estávamos a caminho de um motel. Até aí tudo normal para dois adultos que estavam afim de mesmo exercício e propósito. Chegamos ao destino traçado, nos identificamos na portaria, fomos para o local indicado, entramos, e, entre beijos e carícias começamos a nos despir. Foi então que, ao invés da fome aumentar, como se previa e eu esperava que acontecesse, ela começou a diminuir porque nada era verdadeiro. Me senti no motel como se tivesse sido conquistado por uma boneca inflável, mal acabada ou construída em fundo de quintal, um rascunho de mulher. Nesse momento pensei: deveríamos ter direito a reclamação no PROCON por propaganda enganosa! Mas, era madrugada e como estávamos alí, apenas diminui a intensidade da luz para não aumentar a decepção e a perda total do apetite, e, para não fazer feio, mesmo com o apetite muito diminuído jantamos um do outro - os dois. Mas não teve BIS! Estou pensando  que da próxima vez, antes de sair, vou ser um pouco indiscreto e fazer algumas perguntas do tipo: tudo isso é seu ou tem enchimento? 
                                                                           Marinho Oliveira.