sábado, 20 de junho de 2015

CAMA & SENHORA


 

Para todas as manhãs o fim está no escurecer
...
Na algazarra dos pássaros clareia-se o dia
O relógio convida-nos para a realidade da vida

Enquanto desperto de uma cama quase deserta
A calar do relógio a campainha o seu tormento

Sento-me à beira da cama a calçar das sandálias
Levanto-me a atender as iniciais necessidades
No espelho ao barbear fito um olhar perdido
Na confusão que se cria de se perguntar a mim 
Aonde estará a dona das flores e das estrelas

Estranha pergunta  de 
se fazer eu a mim mesmo
Sei onde andas, a cama e companhia da noite
Mas finjo à realidade nessa loucura das aparências

Reprovo-me a chamar-me de tolo acriançado
Vou para lida como a rés caminha ao abatedouro
No fim do dia regresso à minha cama  senhora
Durmo meu sono sem sonhos de expectativas
E na manhã seguinte tudo se reproduz
Marinho oliveira
20/06/2015