quinta-feira, 28 de abril de 2011

BORBOLETA AZUL

 

Nesta manhã ela estava lá  pousada em minha janela
Coberta em vestis tão ambiciosa, singela, leve e tênue
Que não me contive em fotografá-la continuamente nos olhos

Eu a vi empalidecer e não mais que isso, confesso: enrubescer!
Como cavalheiro que sou desviei o assunto disfarçando-se de mim
Para que na sua liberdade se recobrasse a tez natural

Não foram muitos os minutos em que meus olhos a suscitou
Desvairadamente procurava os motivos da nobre visita
Que displicentemente espreitava o sono furtivo desse mortal.

Ficamos ali parados um diante do outro como estátuas
Ela se manteve durante todo o tempo em absoluto silêncio
Nada me disse e também eu a ela nada perguntei

Foi num piscar de olhos aproveitando o leve sopro da brisa
Ela baixou as vestes até então erguidas como palmas aos céus
E sem dizer adeus voou, com certeza, foi pousar noutra janela
                                             
Marinho Oliveira
28/04/2012

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ALMA AFLITA


                     

Perdem-se os meus pensamentos numa nevoa fina e densa
Onde a vida não passa de mera e frágil sombra de um nada
No regozijo das coisas que se misturam e se separam de si mesmas
Num universo solúvel e inconstante de pensamentos e sonhos.

Em minha mente gargalham devaneios passados presente e futuros
Um sonho colorido perdido sonhado vivido nas trevas do imaginário
Nas gotas bafejadas de cachoeiras despencadas das alturas dos olhos
Na confusão do universo do verso que não se une e sempre si dissipa.

Estou cansado em vislumbrar as possibilidades da indisponibilidade
Do umbigo da ambição invejosa do alheio com o seu comprometido
Na métrica da ganância onde os passos são marcados e contados
E o ser não é nada além de um estado de estar postado em um ponto.

Nesse mistério onde revestido minha alma se refugia de si para si
Encontro apenas o calor gélido do sangue que fervilha nas veias
A clamar pela saliva do alheio a boca seca solfejando suspiros e canções
Canso-me de tudo, quanto tédio, desço os braços e finalmente durmo em paz.


  Marinho Oliveira
25/01/2012