Nesta manhã ela estava lá pousada em minha janela
Coberta em vestis tão ambiciosa, singela, leve e tênue
Que não me contive em fotografá-la continuamente nos olhos
Eu a vi empalidecer e não mais que isso, confesso: enrubescer!
Como cavalheiro que sou desviei o assunto disfarçando-se de mim
Para que na sua liberdade se recobrasse a tez natural
Não foram muitos os minutos em que meus olhos a suscitou
Desvairadamente procurava os motivos da nobre visita
Que displicentemente espreitava o sono furtivo desse mortal.
Ficamos ali parados um diante do outro como estátuas
Ela se manteve durante todo o tempo em absoluto silêncio
Nada me disse e também eu a ela nada perguntei
Foi num piscar de olhos aproveitando o leve sopro da brisa
Ela baixou as vestes até então erguidas como palmas aos céus
E sem dizer adeus voou, com certeza, foi pousar noutra janela
Marinho Oliveira
28/04/2012