quinta-feira, 28 de abril de 2011

BORBOLETA AZUL

 

Nesta manhã ela estava lá  pousada em minha janela
Coberta em vestis tão ambiciosa, singela, leve e tênue
Que não me contive em fotografá-la continuamente nos olhos

Eu a vi empalidecer e não mais que isso, confesso: enrubescer!
Como cavalheiro que sou desviei o assunto disfarçando-se de mim
Para que na sua liberdade se recobrasse a tez natural

Não foram muitos os minutos em que meus olhos a suscitou
Desvairadamente procurava os motivos da nobre visita
Que displicentemente espreitava o sono furtivo desse mortal.

Ficamos ali parados um diante do outro como estátuas
Ela se manteve durante todo o tempo em absoluto silêncio
Nada me disse e também eu a ela nada perguntei

Foi num piscar de olhos aproveitando o leve sopro da brisa
Ela baixou as vestes até então erguidas como palmas aos céus
E sem dizer adeus voou, com certeza, foi pousar noutra janela
                                             
Marinho Oliveira
28/04/2012