quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

BARCOS A DERIVA



Somos todos nós barcos a vela a deriva em alto mar de sonhos e ilusões, perdidos de instrumentos que nos oriente e nos coloque no rumo certo da navegação; sendo todos  nós impulsionados por um vento sobrenatural, que sopra do sul para o norte e às nossas costas nos empurrando para algum lugar incerto e desconhecido. Muitos de nós teremos a feliz sorte de algum dia ancorar em uma ilha de terra firme onde construiremos nossa tão sonhada moradia. Outros tantos irão perambular nessa imensidão de mar invisível sem jamais conseguir se aportar, e acabarão os seus dias embriagados de sonhos e ilusões que se confundirão com a realidade e a fantasia da vida; mas nem eles mesmos terão a consciência se estão vivos ou mortos, pois para estar vivo não basta andar, falar e respirar. Também há outros tantos que pelo capricho do vento da vida constantemente a soprar, se rodopiarão e se afogarão na ilusão de que a vida é apenas isso. E estes últimos morrerão felizes por sua ignorância!
 

Marinho Oliveira

3/01/2014

BOLA



Quem sou eu? Perguntas a mim quem sou depois de tantos anos de convivência, de confidências reveladas, de trocas mútuas, de entendimentos, de pequenas desavenças e de tão belos e maravilhosos momentos vividos e compartilhados por nós? 

Estou agora imensamente confuso com a tua incerteza quanto a mim e do ângulo da tua visão, e já não posso sentir outra coisa senão decepção e frustração quanto a minha incapacidade de ser. Mas tudo bem, se ainda não conseguiu decifrar-me depois de tudo e de todas as coisas vividas por nós, eu sei que não devia, mas vou tentar declinar de mim para revelar-me a você com a uma alma despida de vaidades e vãs expectativas:

- sou a bola descrita pelo gênio da física, aquela pessoa que infelizmente tornou-se mais conhecida por sua língua exposta em uma fotografia cujos cabelos desgrenhados apontam para o alto, do que pela sua genialidade no campo das ciências;

- sou essa bola e posso ter todas as cores que quiseres, posso ser azul, amarelo, vermelho, preto, roxo, branco e quantas outras cores mais imaginares e quiseres delas impregnar-me;

- sou a leveza, a frouxura, a firmeza condensada e a murchidão dessa bola multicolorida, e que ao lançá-la rumo ao destino comparativo, a receberá de volta com a mesma perspectiva que criastes. 

Se queres recebê-la alegre, feliz, altruísta e entusiasticamente irradiante, deveis lançá-la com igual fervor, pois a parede que a rebaterá de volta para ti será o reflexo do espelho de tua alma.

Marinho Oliveira


30/01/2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

GULA DE VOCÊ




Tenho gula de você, gula dos teus olhos, dos teus cabelos e do teu andar, tenho gula da tua voz dizendo melodias ao som de um simples não ao falar;

Tenho gula de tuas mãos a envolver-me por entre os seus dedos,  gula dos teus braços envolto ao meu corpo a prender-me em ti;

Tenho gula dos teus pequenos pés enfiados em simples sandálias a caminhar, gula das tuas lindas pernas os meus desejos de homem a despertar;

Tenho gula das tuas coxas, gula das tuas ancas no molejo de menina mulher a se revelar, tenho muita gula dos teus seios que revelam-me os mistério de criança feito homem no sonho de degustar;

Tenho gula da tua boca, gula dos teus lábios a me excitar, e tenho gula da tua língua se confundindo com a minha no doce ato de beijar;

Tenho gula do teu sexo, gula dos teus gemidos e suspiros que  fazem-me viajar, levando-me a outros mundos para nesse feliz aterrizar;

Tenho tanta gula de você que já nem sei mais explicar, se o tamanho da minha gula é um pecado, perdoem-me todos os deuses pois o que mais quero da minha gula é de você me deleitar.


Marinho Oliveira

29/01/2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

SEM VOCÊ



Sem você não tenho nada
Não tenho dia não tenho noite
Madrugada ou estrelas a brilhar
Não tenho o sol que a vida aquece
A Prata da lua o vermelho no horizonte
Sem você não tenho jardim
Não existem flores para crescer
Nem água para uma nova vida regar
Não tenho  a  esperança   do   perfume
No inalar dos sonhos do brilho de teu olhar
Sem você não tenho audição
No pulsar exprimido do meu peito
Não ouço pássaro a cantar sua canção
Não tenho alegria só angústia e solidão
Nos meus pensamentos a matar meu coração
Sem você não tenho olhos 
Não tenho a certeza de quem sou
Perdido entre os homens um indigente 
Não tenho a imagem de teu corpo a levitar
No balançar sereno dos teus pés ao caminhar
Sem você não tenho nada
Não tenho a vida que penso existir
Apenas uma sombra do viver em mim
Não tenho o entusiasmo para um novo dia
E tristemente espero o direito de dar-te a paz.

Marinho Oliveira

28/01/2014


O LIBERTAR



Ao longe as guardas da cruz silenciosamente impedem o libertar de minha alma no martírio da crucificação, ao impedir que suas irmãs cedam aos clamores de um simples mortal que desesperadamente insiste em lutar por um grande amor que tomou conta de todo o seu existir.

Rubídea a domar-me a cabeça, Mimosa e Pálida a conter-me as mãos e os braços, Intrometida crava-me sem piedade o coração querendo purificá-lo daquilo que para mim é o mais puro e sublime dos sentimentos, e a Estrela de Magalhães a amarrar-me os pés insanamente a impedir o meu caminhar em busca do amor a que todos temos o sagrado direito de viver.

Ao protegerem-me de mim mesmo vão escravizando o meu EU, tornando-o apenas uma centelha daquilo que se pode querer e esperar de um homem. Hoje sou um escravo de outros caprichos e de outros sonhos, e sentindo-me tão impotente que falta-me forças para o libertar desse impossível sereno e louco amor.

Marinho Oliveira
28/01/2014


sábado, 25 de janeiro de 2014

O Cuidar do amor


Se tens um amor verdadeiro e confiável
Desses que vai estar sempre contigo
Ao seu lado e pronto a sorrir ou a chorar
Sendo para o fardo o teu ombro forte
Para as lágrimas dos teus olhos o lenço branco
O bálsamo que alivia a dor da ferida
A melodia que expulsa a tristeza e a solidão
O palhaço a transformá-lo em criança outra vez
Então, és a pessoa mais feliz desse mundo
Cuide desse amor como a ave do seu ninho
Não deixes que vendaval  jamais o derrube
Pois é da natureza humana o desprezar
O desvalorizar do encanto já conquistado
Para lançar os olhos em outros horizontes
Não tão belo quanto o primeiro amor
A felicidade não custa muito a nenhum de nós
Cobra apenas o peço do nosso entendimento
O que penso ser justo para com o amor

Marinho Oliveira

26/01/2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Oh, Vida desalmada!


Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que existisse uma forma de dizer “eu te amo,” de um jeito tão simples e descomplicado que a levasse a entender a intensidade desse amor na emissão do som da primeira letra.

Oh, vida desalmada! Como eu gostaria de ser tão claro como a luz do sol ou a cristalinidade das águas, ao ponto de não imprimir dúvidas dos sentimentos que tomam conta da minh’alma e envolve todo o meu ser.

Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que ela percebesse que o amor que existe em mim, é maior que a minha própria vida e maior que a morte que um dia certamente me arrebatará desse tormento a que fui compelido a viver.

Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que ela jamais duvidasse desse amor, um amor capaz de fazê-la criança mulher por toda a eternidade; pois se o corpo envelhece o verdadeiro amor continua com os olhos de criança depositados na essência do seu existir.

Oh, vida desalmada! Compreendo a minha incapacidade humana e racional, impedindo-me que algo tão puro e verdadeiro seja tão facilmente explicito como o som dos ventos, ao ponto dos cegos perceberem  nesse amor a nudez de um sentimento externado a se fotografar sua aura como infinita luz de vida.


Oh, vida desalmada! Oh, desalmada vida! Por onde queres tu levar-me com esse amor não correspondido? Queres que eu padeça por toda a eternidade da vida ou apenas brinca com esta alma atropelada no capricho de um infecundo amor?

Marinho Oliveria
25/01/2014 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

HOMENS e PÁSSAROS



Há dias em a gente está um pouco mais vulnerável, com certa predisposição para a nostalgia e à percepção de pequenas coisas que em dias normais, passariam pelos nossos olhos despercebidamente como algo muito comum ou até mesmo banal. Hoje foi para mim um dia desses. Acordei e já percebi que a manhã estava diferente, que o sol não estava penetrando as portas e janelas da casa, coisa que todos os dias quando desperto já o encontro a visitar-me ainda em minha cama. Então, para surpreendê-lo, me levantei antes que ele se atrevesse a entrar e como o de sempre, cuidei de atender as minhas necessidades fisiologias e higiene pessoa; fiz tudo isso sem dar muito bola a essa minha primeira impressão sobre os acontecimentos. Depois do banho tomado e barba feita, cuidei de preparar um café que o tomei acompanhado de leite, esse eu fiz questão de conferir a data de validade mesmo estando ele guardado na geladeira há dias. Certo é que nunca me preocupei muito com essas coisas, mas hoje me preocupei. Feito o desjejum fui alimentar os pássaros que crio, uma pequena leva de Oryzoborus Angolensis – pássaro conhecidos pela maioria dos brasileiros como Curió. Trata-se de uma espécie muito especial e de um canto maravilhoso; para criá-los tenho autorização dos órgãos competentes que regulam o manejo da fauna e flora do nosso pais. E graças aos criadores que, assim como eu,  fazemos por robby  e por amor a natureza, esta espécie ainda existe em nosso pais e dela podemos nos deleitar do seu mavioso cantar e encanto; pois a ganância e a exploração desenfreada das florestas, campos e serrados, os incêndios constates, na natureza eles já estão praticamente extinto pela ineficiência de procriação frente aos atentados dos homens contra essa e todas as outras espécies. Realizada essa tarefa, percebi que o pé de jabuticaba que tenho no quintal de casa estava com sede, corajosamente armei de uma mangueira, abri o registro e este fez com que a água jorrasse pela boca daquela serpente como se fosse uma chuva fininha como gotas de prata alvejada pelos raios do sol. Foi nesse instante que inesperadamente surgiu um João de barro já próximo a mim, e caminhando como se estivesse dando pequenos saltos dirigiu-se para as gotas da água para se banhar. Abriu as asas, sacudiu-as ao vento, deixou por um instante aquele chuveiro e se banhou um pouco de sol correndo pelas penas o bico avermelhado de terra; deu alguns gritos como se estivesse a chamar algum dos seus e voltou novamente ao chuveiro para um segundo banho; quando percebi já estava acompanhado de outro da sua espécie. Ficaram alí por uns quinze minutos e depois se foram. Mas antes de saírem, apareceu um pequeno beija flor que também se mergulhou na água como um peixe a voar no ar. Passava da direita para esquerda, da esquerda para a direita, subia, descia, parava no ar como se fosse um helicóptero e dava um assovio emitindo um som fino e agudo aos meus ouvidos; tinha cor esverdeada escura que se misturava com um azul turquesa e num preto acinzentado, sendo para mim impossível descrever aquela singularidade multicolorida que vestia aquele ser fantástico! Quando ele se despediu do banho, eu já com as mãos doendo e um pouco impaciente do serviço que prestava, resolvi rapidamente fechar o registro cortando a fluidez da água antes que outro incauto alugasse os meus serviços sem paga. Mas cuidei de limpar um desses pratos plásticos usados para colocar embaixo dos vasos de plantas, enchê-lo de água limpa e colocá-lo na sombra do pé de jabuticaba para aliviar a sede de outros que por alí viessem a passar pela água ou pelo banho. Feito isso, percebi que algumas rosas vermelhas haviam desabrochado naquela madrugada e exalavam um perfume adocicado no ar tornando aquele ambiente menos denso. Foi nesse momento que ingnuamente pensei: por que os homens não podem ser pássaros e os pássaros serem homens? Aposto que teríamos um mundo melhor.

Marinho Oliveira

22/01/2014 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

SE EU PUDESSE

Se eu
pudesse tirar 
de mim a tua  imagem, 
a tua lembrança,  o teu perfume, 
os teus olhos, a tua boca, o teu sorriso, 
a tua voz e presença,

eu
rasgaria
 o meu crânio
  e desfaleceria o
cérebro para não mais
 haver pensamentos  em ti;

 arrancaria
 os meus olhos
 para não ver no espelho
a tua imagem refletida quando
 nele olhastes em um passado não muito
 distante;

 perfuraria
 meus tímpanos
 para não captar a tua
 doce e meiga voz nos ambientes por
  onde  desfilastes  em  sandálias   havaianas;

mutilaria
 minha língua e
 coseria minha boca
 para nunca mais chamar
 por ti, nem esperar por outro
 doce e molhado beijo que jamais terei;

 cortaria
 os meus braços e
 mãos para nunca mais
  esperar o teu delicado corpo abraçar,
   e mandaria retirar toda a minha pele para 
do teu perfume, para sempre dele me livrar;

Mas
 sei que de
 nada  adiantaria  ser
 assim tão radical em mutilar-me,
 se todas essas vibrações capto de você
 que hoje habita o meu EU e és a minha própria alma.

Marinho Oliveira

22/01/2014

SEM CULPA



Fui eu quem me perdi no brilho dos teus olhos
na alvura dos teus dentes emoldurados de sorrisos
Fui eu quem me perdi na magia do teu abraço
fazendo-me prisioneiro do meu próprio amor
Fui eu quem me perdi na beleza de teus cabelos ao vento
que cegaram-me a inteligência de homem lúcido
Fui eu quem me perdi nas curvas do teu corpo
por entre ondas que me arrebataram ao purgatório
Fui  eu quem me perdi nas tuas pernas de bailarina
e dancei as melodias executadas na minh'alma
Fui  eu quem me perdi no teu encanto, no feitiço
encarnado e feito pelo bruxo que sou a  mim mesmo
Fui eu quem me perdi no equilíbrio da razão
sendo culpa sua que subjugou meu coração
Fui  eu quem trouxe a mim a inglória de um amor
Esvaindo-se a felicidade em crescente desilusão.


Marinho Oliveira
21/01/2014

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FELICIDADE



Hoje ao despertar estava feliz

Ouvi um pássaro que cantava

Melodiosa cantiga ao longe

Senti no ar que alastrava meu quarto

O aroma das noites selvagens

Despenquei da cama ao chuveiro

E me senti lavar no leito de um rio

Na cozinha o café a mesma posta

Apenas o essencial ao desjejum

Na face da mulher o que o prepara

O mais doce sorriso de criança

Num angelical doce beijo de alegria

Do terreiro olhando o céu vi o sol

Rasgando descortinando horizonte

No jardim as rosas vermelhas

Desabrocharam na madrugada

Talvez tivessem elas felizes

Na felicidade transmitida a mim



Marinho Oliveira

20/01/2014


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CURTA VIDA






A vida é mesmo


uma grande festa e 


só nos cabe decidir de que


forma vamos dela participar;


se entediados recostados em um 


canto de olhos baixos a contemplá-la,


ou


se deliciando no grande


e único banquete nosso


de cada


dia.

Marinho Oliveira
14/01/2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

UM ADEUS



Engendro meus pensamentos
Buscando compreender-te
O porquê de tanto silêncio
Se antes de mim fizestes
O teu nobre e fiel confessor
Foram poucas palavras ditas
Naquela tarde ao se despedir
A voz quase muda no até mais
E um tímido vínculo no rosto
De um sorriso que não vingou
E lá se foi àquela tarde
Outros dias e outras tardes
Noites e silenciosas madrugadas
E no disparar dos continentes
Em outras paragens você pousou
O tempo é ínfimo aos mortais
Alucinados em se realizar
Mas não sobrariam uns minutos
Se importante fosse outro alguém
Para com ele se comunicar
Não me importa a distância
Onde agora se encontra
O teu silêncio são palavras
Que jamais pensei ouví-las
É um grito de liberdade
Que não precisava exorar

Marinho Oliveira

13/01/2014



sábado, 11 de janeiro de 2014

NADA SE PERDEU

Ah!
Como é doce ver-te sorrindo a bailar noutros braços sabendo que nos meus fostes e  proporcionastes momentos de eterna felicidade;

Como é doce ver-te a degustar dos lábios de outro alguém com igual gula e fortuna que um dia degustastes dos meus em nossas bocas mudas de palavras;

Como é doce ver-te o corpo acolhido de outros ternos braços como um dia acolhidos dos meus e neles adormecestes passeando nas estrelas;

Como é doce ver-te deliciosa mesa farta de outro faminto, quando por muitas e muitas vezes do meu banquete fostes a deliciosa e inesquecível sobremesa.

Hoje compreendo com sabedoria o enunciado do inigualável Antoine Lavoisier ao dizer: “...na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma...”
 eis  a grande e doce transformação das pessoas e dos
 sentimentos. Nada se perdeu, apenas mudou 
de estação!

Marinho Oliveria

11/01/2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

EU, BRINQUEDO





Brincando no brinquedo construído de mim, afoguei em ondas que nas quais nunca mergulhei e fui arrebato em pedras que nelas nunca colidi; 

dancei e cantei tangos, valsas, boleros, todas as músicas e todos os ritmos, mesmo sendo eu um surdo mudo de pés contidos e  amordaçado; 

tive em meus braços mulheres notáveis e mulheres vulgares, rainhas e princesas, ninfas, damas e prostitutas, casadas e solteiras sem nunca um corpo de mulher tocar; 

cavalguei em rodeios e fui ovacionado por multidões, domei alazões e ferozes touros que nunca vi e nunca neles montei; 

fui um lenhador sem compaixão, destruidor de florestas sem nunca uma só árvore cortar, e fui também um rico agricultor produtor e exportador de grãos sem nunca uma semente semear;

fui astronauta e viajei pelos continentes desse mundo, conhecendo cada canto desse nosso planeta e todas as galáxias que compreendem o  universo, sem nunca  do quintal  da minha cama e do meu quarto ausentar;

 sem nunca em toda minha vida uma só espada empunhar, fui honroso gladiador e lutei  contra feras e selvagens homens somente para aplacar a febre de sangue dos reis, dos imperadores e dos plebeus que lotavam as arenas para a sua sede saciar;

Enfim, fui e sou todos os meus pensamentos e lembranças vividas ou não vividas e que fazem do meu "EU", na construção desse torto brinquedo humanoide que sou, abandonado  e esquecido num canto de mundo que sou.

Marinho Oliveira
10/01/2014.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Amor Que Buscamos



Quem me dera encontrar um amor
Desses que a vida inteira buscamos
Não precisando ser assim tão puro
Porém honesto simples e verdadeiro

Um amor que me fizesse perder o aspecto
Num delírio insano de loucura e paixão
Revirando-me as entranhas a estremecê-las
Fazendo-me implicar as noites com os dias

Quem me dera possuir o dom desse amor
Para alguém que o procure poder entregar
Mas se oferecê-lo nem eu mesmo posso
Como posso noutro alguém  esse amor 
... encontrar



Marinho Oliveira
08/01/2014

sábado, 4 de janeiro de 2014

NOBRE SAUDADE

Tamanha   era   a   dor   instalada   em  mim,  que
hoje  acordei  sentindo-me como sentem aqueles
que têm os dedos presos e  espremidos   contra
os vãos de uma porta ao fecha-la. Sentia-me
como  sentem  aqueles que ao caminhar de
pés descalços contemplando a natureza,
são surpreendidos com as unhas dos
 dedões dos pés sendo expulsas 
depois de uma inesperada e
 grotescatopada contra 
uma pedra.Tamanha 
era a dor que sentia, 
que encontrei-me no
  pulmão daquelas pessoas 
quando tomadas de uma intensa
 crise asmática, e que o ar precisa ser
 garimpado da natureza e minguadamente
 inspirado paradepois percorrer as vias respiratórias.
 Sentia-me como se o próprio coração do paciente, que
 ao ser espremido atacado quando de um terrível 
enfarteagudo do miocárdio, e que mesmo a vida 
estando a se sustentar por um invisível fio, não 
se   permiteabandoná-la.  Tudo  isso  porque 
depois de uma noite mal dormida acordei
 com essa  dor e angústia  tão intensas,
 que  ao  compreende-las  em  grau
de  enfermidade  e para  a qual
 ainda  não  se  descobriu
 acura,  batizei-as  de
minha   saudade!
Ah! Saudade é
reviver todas todas as
nossas deliciosas lembranças 
no paraíso da memória, até mesmo
 quando o nosso corpo padece  em febre 
e a queimar na  grande e cruel  fornalha do 
inferno. Mas sentir saudade significa que valeu 
 a pena ter vivido cada segundo e estar vivo   para
  sentí-la. A saudade  é um um sentimento tão  nobre
que distingue os vivos dos mortos, até mesmo quando
 esses disfarçadamente ainda se fingem vivos entre nós.


 !Ah 
 Toda saudade sempre tem um nome singular
único

Marinho Oliveira
04/01/2014



A FEBRE

Todas as coisas são claras e transparentes como as águas
cristalinas que correm ao pé da montanha aos olhos
das pessoas lúcidas e sãs; aquelas não
contaminadas e que ainda não
estejam padecendo do mal
da febre da paixão

As pessoas que padecem desse terrível mal ficam cegas e surdas à
luz da razão, não conseguindo enxergar um elefante boiando no
prato de sopa posto sobre a mesa; pois o cérebro buscando
contemplar a felicidade falseia e suprime os pontos,
as vírgulas, as reticências e as interrogações
que completam o todo e nos apresenta
um enunciado incompleto
como sendo verdadeiro


Marinho Oliveira
02/01/2014

UM PONTO

                                            
Devemos  para  ser  feliz,  fazermos
tudo àquilo que queremos e que 
podemos enquanto ainda
queremos e podemos.

Pois haverá um momento na vida
de cada um de nós em que vamos
querer e não vamos poder
ou vamos poder e não
mais vamos querer.
Isso é fato!

Então, o passado vivido ou não vivido
é passado e  já era; o grande
momento da vida de todos 
nós é o momento
presente.


Esse, sim! Deve ser vivido ao  máximo
em toda sua intensidade não 
importando se de alegrias
ou tristezas, lágrimas 
ou sorrisos.

O depois ou o amanhã?

Bem, isto é futuro e já teremos muita sorte
se ainda estivermos privilegiados com a
vida para simplesmente
contemplá-lo.

Marinho Oliveira
04/01/2014


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

SONHO TRAVESSO




Nesta noite um furtivo sonho levou-me para você

Pendurou-me em tua janela como um bom ladrão

Agarrado aos teus cabelos aquela altura a escalar

Na alavanca dos meus braços para os seus buscar



E fui rápido como  um gato bem ligeiro a escorregar

Nos fios longos de teu cabelo o meu peso a suportar

Sem barulho e em silêncio para ninguém incomodar

Vizinhos são atentos da vida de todos querem cuidar



Em segundos do teu quarto a janela eu me vi a saltar

Teu corpo era o doce convite para minha febre mitigar

Mirando guloso a tua boca voei sem ao menos hesitar

Acordei caído da cama na cabeça um galo vai cantar

Como é triste...  
... como é doce sonhar



Marinho Oliveira
02/01/2014

03h27'

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FEITIÇO



A tristeza e a dor lentamente  me consome
A miúdo lacerando o meu coração a fatiá-lo 
Um açougueiro em seu esmero da paixão
Dependurado na minha alma sem permissão

Não bateu na porta me pedindo  para entrar
Facilmente invadindo apoderando-se desse lar
Não importando se é madrugada noite ou dia
São vinte e quatro horas de tormento e agonia

Possuído desse martírio nessa grande aflição
A dor me consome o ego e a alegria de viver
Como pude me deixar ser tão infantil menino
A enfeitiçar-me pelo brilho doce do seu olhar

E navegando nesse devasso mar de solidão
Perdido anseio novamente  por te encontrar
Nos teus olhos como um homem quero olhar
Para quebrar esse feitiço e dele me libertar


Marinho Oliveira
11/09/2012