quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

BOLA



Quem sou eu? Perguntas a mim quem sou depois de tantos anos de convivência, de confidências reveladas, de trocas mútuas, de entendimentos, de pequenas desavenças e de tão belos e maravilhosos momentos vividos e compartilhados por nós? 

Estou agora imensamente confuso com a tua incerteza quanto a mim e do ângulo da tua visão, e já não posso sentir outra coisa senão decepção e frustração quanto a minha incapacidade de ser. Mas tudo bem, se ainda não conseguiu decifrar-me depois de tudo e de todas as coisas vividas por nós, eu sei que não devia, mas vou tentar declinar de mim para revelar-me a você com a uma alma despida de vaidades e vãs expectativas:

- sou a bola descrita pelo gênio da física, aquela pessoa que infelizmente tornou-se mais conhecida por sua língua exposta em uma fotografia cujos cabelos desgrenhados apontam para o alto, do que pela sua genialidade no campo das ciências;

- sou essa bola e posso ter todas as cores que quiseres, posso ser azul, amarelo, vermelho, preto, roxo, branco e quantas outras cores mais imaginares e quiseres delas impregnar-me;

- sou a leveza, a frouxura, a firmeza condensada e a murchidão dessa bola multicolorida, e que ao lançá-la rumo ao destino comparativo, a receberá de volta com a mesma perspectiva que criastes. 

Se queres recebê-la alegre, feliz, altruísta e entusiasticamente irradiante, deveis lançá-la com igual fervor, pois a parede que a rebaterá de volta para ti será o reflexo do espelho de tua alma.

Marinho Oliveira


30/01/2014