sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Oh, Vida desalmada!


Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que existisse uma forma de dizer “eu te amo,” de um jeito tão simples e descomplicado que a levasse a entender a intensidade desse amor na emissão do som da primeira letra.

Oh, vida desalmada! Como eu gostaria de ser tão claro como a luz do sol ou a cristalinidade das águas, ao ponto de não imprimir dúvidas dos sentimentos que tomam conta da minh’alma e envolve todo o meu ser.

Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que ela percebesse que o amor que existe em mim, é maior que a minha própria vida e maior que a morte que um dia certamente me arrebatará desse tormento a que fui compelido a viver.

Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que ela jamais duvidasse desse amor, um amor capaz de fazê-la criança mulher por toda a eternidade; pois se o corpo envelhece o verdadeiro amor continua com os olhos de criança depositados na essência do seu existir.

Oh, vida desalmada! Compreendo a minha incapacidade humana e racional, impedindo-me que algo tão puro e verdadeiro seja tão facilmente explicito como o som dos ventos, ao ponto dos cegos perceberem  nesse amor a nudez de um sentimento externado a se fotografar sua aura como infinita luz de vida.


Oh, vida desalmada! Oh, desalmada vida! Por onde queres tu levar-me com esse amor não correspondido? Queres que eu padeça por toda a eternidade da vida ou apenas brinca com esta alma atropelada no capricho de um infecundo amor?

Marinho Oliveria
25/01/2014