Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que existisse uma forma
de dizer “eu te amo,” de um jeito tão simples e descomplicado que a levasse a
entender a intensidade desse amor na emissão do som da primeira letra.
Oh, vida desalmada! Como eu gostaria de ser tão claro como a
luz do sol ou a cristalinidade das águas, ao ponto de não imprimir dúvidas dos
sentimentos que tomam conta da minh’alma e envolve todo o meu ser.
Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que ela percebesse que
o amor que existe em mim, é maior que a minha própria vida e maior que a morte
que um dia certamente me arrebatará desse tormento a que fui compelido a viver.
Oh, vida desalmada! Como eu gostaria que ela jamais
duvidasse desse amor, um amor capaz de fazê-la criança mulher por toda a
eternidade; pois se o corpo envelhece o verdadeiro amor continua com os olhos
de criança depositados na essência do seu existir.
Oh, vida desalmada! Compreendo a minha incapacidade humana e
racional, impedindo-me que algo tão puro e verdadeiro seja tão facilmente
explicito como o som dos ventos, ao ponto dos cegos perceberem nesse amor a nudez de um sentimento externado
a se fotografar sua aura como infinita luz de vida.
Oh, vida desalmada! Oh, desalmada vida! Por onde queres tu levar-me
com esse amor não correspondido? Queres que eu padeça por toda a eternidade da
vida ou apenas brinca com esta alma atropelada no capricho de um infecundo
amor?
Marinho Oliveria
25/01/2014