Se eu
pudesse tirar
de mim a tua imagem,
a tua lembrança, o teu
perfume,
os teus olhos, a tua
boca, o teu sorriso,
a tua voz e
presença,
eu
rasgaria
o meu
crânio
e desfaleceria o
cérebro para não mais
haver
pensamentos em ti;
arrancaria
os meus
olhos
para
não ver no espelho
a tua imagem refletida quando
nele
olhastes em um passado não muito
distante;
perfuraria
meus
tímpanos
para
não captar a tua
doce e meiga voz nos ambientes por
onde desfilastes em sandálias havaianas;
mutilaria
minha
língua e
coseria
minha boca
para
nunca mais chamar
por ti,
nem esperar por outro
doce e
molhado beijo que jamais terei;
cortaria
os meus
braços e
mãos
para nunca mais
esperar o teu delicado corpo abraçar,
e mandaria retirar toda a
minha pele para
do teu perfume, para
sempre dele me livrar;
Mas
sei que
de
nada adiantaria ser
assim tão
radical em mutilar-me,
se
todas essas vibrações capto de você
que
hoje habita o meu EU e és a minha própria alma.
Marinho Oliveira
22/01/2014