domingo, 14 de setembro de 2014

O PORQUÊ


Às vezes demora-se muitas estações para que percebamos a claridade das passagens nas intrínsecas articulações dos interesses de cada um de nós; contudo, como as águas de um rio o movimento é constante e não podemos fugir a ele, que por certo, revelará o porquê de cada atitude; o porquê do jogo perverso e cruel; o porquê de cada máscara calçada em todos os nossos dias; o porquê dos sorrisos engessados a dentes perolizados de puro escárnio; o porquê das frias lágrimas desprovidas de sentimentos; o porquê de nos apresentarmos frágeis se tudo já está pensado dentro de um plano bem arquitetado; o porquê de nunca sermos aquilo que somos aos olhos do outro. Essa consciência, às vezes, nos é lúcida; mas nos falta dignidade para assumi-la diante dos desprotegidos, porque se o fizermos, irá contrariar os nossos interesses. Lamentavelmente! 

Marinho Oliveira
14/09/2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

VIAGENS



As asas que ansiosas batem
E voam dentro de mim
Levam-me a lugares
Nunca dantes visitados
Nunca dantes pisados
Nunca dantes explorados
Nunca dantes vigiados
Nunca dantes expiados
E essas mesmas ansiosas asas
Que batem e voam dentro de mim
Reconduzem-me de volta
De todos os lugares até então
Nunca dantes visitados
Nunca dantes pisados
Nunca dantes explorados
Nunca dantes vigiados
Nunca dantes expiados
E nesse desenfrear frenético do ir e vir
Que minhas ansiosas asas governam-me
Levando-me de dentro para fora
E de fora para dentro de mim mesmo
Num universo de gritante mistério
Às vezes embaraço-me no regresso
A confundir-me com outro errante
Se aquele que está de volta sou eu
Ou se será o Eu de outro viajante 

Errante que perdido em suas buscas
Perdeu também o ponto do seu pouso
Sei sou eu o“Eu” do retorno modificado

Das maravilhas vividas das jornadas
Pois a cada ir e vir regresso trabalhado
Certo que me lembro de todas as chaves
De todos segredos guardados em mim
E o Eu do retorno sou eu transformado
E não outro Eu a ocupar-se do eu em mim.

Marinho Oliveira
08/09/2014

domingo, 7 de setembro de 2014

Fantasmas

"É bom não nos iludirmos com os fantasmas que nos rondam: pois se cada luz produz a sua própria sombra e a sombra produz outra sombra reflexo de si, não é diferente o que acontece com o amor."
Marinho Oliveira
07/09/2014

Borboletas


"Das muitas borboletas que ora ou outra visitam os jardins dos meus dias trazendo-me alegria e outros novos sonhos, não escapam a mim as curiosidades que estas apresentam, pois embora sejam todas da mesma espécie suas asas manifestam mistérios nas várias e diferentes faces."
Marinho Oliveira
07/09/2014

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Movimento



Gosto das coisas que confundem

que quebram a normalidade dos princípios

que inquieta os acomodados dentro de um

mundo já pensado e pronto

que rompem com a barreira da sanidade

e que nos faz parecer loucos

por nossas escolhas frente


as velhas e as novas opções.

Gosto dos movimentos! 


Marinho Oliveira
28/08/2014

domingo, 24 de agosto de 2014

Nobreza!



Não sei porque, 
mas sempre me encanto com a nobreza da alma
e nunca pela nobreza dos homens. 
Nasci com esse grave defeito! 

Marinho Oliveira
24/08/2014

Viver




É bom viver quando tudo sorri, 

quando o sol se mostra em noite de estrelas. 

É bom viver!


Marinho Oliveira
24/08/2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Hipocrisia



Sou muito sincero para relacionamentos duradouros. As pessoas clamam por verdades, mas nunca estão preparados para  ouvi-las!

                                                                    Marinho Oliveira
                                                                           18/08/2014




domingo, 17 de agosto de 2014

Certos Homens


Como é triste perceber que que certos homens, mesmo nascidos em berço de ouro, tendo frequentado as melhores escolas e universidades apenas aprenderam a repetir conteúdos como muito bem o fazem as aves domesticadas e que possuem capacidade vocal para a fala; que mesmo graduando e se tornando mestres ou doutores não processaram conhecimento, apresentando apenas um corpo alquebrado pelos anos de existência e fragmentos em porções de informações baldias. Não crescem enquanto seres humanos e transitam entre nós como bestas presas ao cabresto do próprio umbigo, pois não possuem capacidade para a reflexão que não seja voltada para o gotejar em benefício próprio. Com essa espécie que nos engana e nos faz acreditar que são gente como a gente, precisamos ter muito cuidado, pois podem nos furtar o pouco que possuímos e até mesmo a nossa paz. Mas aviso: não é fácil distingui-los dos bons pois se disfarçam muito bem.



Marinho Oliveira
17/08/2014

Ah, saudade!

Ah, saudade!
Não é fácil domá-la, confesso.
Mas é possível viver e nos relacionarmos
de um jeito respeitoso, quase
harmonioso, de forma a nos causar 
menos dor e sofrimento possível.

Ah, Saudade? 
Isso é uma maluquice dos vivos!

Marinho Oliveira
17/08/2014

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Solidão


Prefiro estar comigo mesmo
a estar com alguém que mesmo
próximo se faz ausente. 
Solidão não é estar sozinho, 
solidão é estar com de alguém
que mesmo ao nosso lado 
sempre está vazio de nós.


 Marinho Oliveira
15/08/2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Quando as rosas murcham




Não são tempos de primavera
As roseiras não estão a florescer
Poucas folhas e muitos espinhos
Cobrem o tronco da raiz ao pino
Folhas amarelas escassas e sem vida
Numa agonia de dar dó sua nudez

Não são tempos de primavera
As rosas do ontem já emurcheceram
Porque as estações devem renovar

Marinho Oliveira
14/08/2014

sábado, 9 de agosto de 2014

O TEMO DO AMOR




O grande erro dos homens é querer um amor para a vida toda. O verdadeiro amor tem o seu próprio tempo, não se submete aos caprichos, às vontades dos homens para cumprir a sua data de validade. Se essa data estiver implícita, ele deixa de ser amor para ser simplesmente posse de um sentimento que não mais pertence ao homem. O verdadeiro amor só existe para ser vivido dentro do seu tempo, e se não é respeitado esse seu desígnio estaremos vivendo acometidos de qualquer coisa, menos do nobre sentimento do amor. Não importa se é amor de um segundo ou amor de um minuto; se é amor de uma hora ou amor de um dia; se é amor de uma semana ou amor de um mês; se é amor de um ano ou quem sabe, amor de dez anos ou até mesmo amor de até o nosso último suspiro. Em se tratando de amor verdadeiro ele cumpre em não atender as vontades dos homens, pois elas são irrelevantes e não se sustentam dentro do nosso próprio querer.  Por isso, o amor que  com o qual deve o homem se ocupar, é aquele amor que arde e queima, um amor que  dure uma eternidade dentro do seu tempo; mesmo que esse tempo seja apenas de um segundo!

Marinho oliveira
10/08/2014

terça-feira, 29 de julho de 2014

BREVE TEMPO



Com o breve passar do tempo
As cores vão se esmaecendo
O sol da manhã já não brilha
E o azul do céu de brigadeiro
Empalidece e perde a pompa

Com o breve passar do tempo
As flores já não exalam olores
Suas pétalas perdem o colorido
Afugentam-se os beija-flores
Pois o néctar já não os convidam
Para a visita que os embriagam

Com o breve passar do tempo
Silenciam-se as gargalhadas da vida
Já não há luz no fio que a conduz
Da claridade que vai se nevoando
A mergulhar em profunda escuridão

Com o breve passar do tempo
Deixam de ser sonhados os sonhos

A porta bate à realidade mesquinha
A nos entregar aquilo que criamos

Com o breve passar do tempo
O escurecer da noite torna-se tormenta
Aliando-se à morte que nos espreita
De debaixo de nossas camas
Ou até mesmo de dentro de nós

                    
                    Marinho Oliveira
                              29/07/2014

domingo, 27 de julho de 2014

MULHER AZARADA



Numa cidade de porte médio tudo é possível. Cenário o interior de um ônibus azul que parou junto a um ponto para apanhar pessoas na Avenida Augusto de Lima no Barro Preto em Belo Horizonte. Parou com a elegância costumeira de sempre e já conhecida de todos que usam esse tipo de transporte, as portas foram abertas reproduzindo o som do lançamento de morteiros. Uma vez oferecida a possibilidade de acesso, entraram duas senhoras que pela aparência estavam deixando para trás a bela fase das Balzaquianas. A princípio chamou-me a atenção os volumes em sacolas que traziam penduradas de todos os lados. Fizeram-me lembrar dos meus tempos em fazenda e dos animais utilizados para o transporte. Sei que essa minha analogia é uma injustiça, mas confesso, me passou pela mente quanto a imagem de tantos volumes distribuídos a apenas duas pessoas. A primeira das mulheres entrou no ônibus sem nenhum percalço; aquela que estava por último, ao pendurar o pé no primeiro degrau da escada de acesso, já nos fez ouvir as suas ruidosas gargalhadas. A mulher que já se encontrava dentro do ônibus, se sentindo incomodada e até mesmo um pouco constrangida com todo aquele ruído produzido pelas gargalhadas de sua parceira, vira repentinamente e pergunta: - quê que foi muié? A outra responde em gargalhadas: - uma goteira caiu dentro do meu oio, acredita um trem desse? A outra responde: - só ocê mesmo! Vira-se novamente em direção a roleta e ao cobrador, paga em espécie a sua passagem e caminha como se um general até uma das cadeiras, que por sorte estava vazia devido a não existência de muitos passageiros e senta-se, acomoda-se na cadeira e na cadeira ao lado e no chão do ônibus junto aos seus pés, camodam as sacolas. A mulher gargalhadora consegue chegar até a roleta e começa, com a pouca parte da mão que lhe sobra vazia, catar nos bolsos uma nota para o pagamento da passagem. Encontra finalmente a bendita nota mas ao retirá-la da algibeira junto vem o celular em capa cor-de-rosa e que vai diretamente beijar a lata branca do piso do ônibus. O beijo foi tão forte que ele dividiu-se em três partes: capa, bateria e corpo. Não é que a mulher não perdeu a pose! Soltou mais uma longa e bela gargalhada da sua desgraça e nem se enrubesceu. Um jovem que estava sentado próximo a essa batalha, gentilmente catou os pedaços do aparelho falante, reorganizou tudo montando-o novamente e entregando-o a ela, que sorrindo agradeceu ao jovem mancebo. Uma vez guardado o aparelho e a passagem paga, o motorista que já havia colocado em movimento o veículo engata outra marcha e acelera, o ônibus dá um salto para frente fazendo com que a mulher que estava ainda encostada junto a roleta, caminhe a trote a quase cair de nariz dentro daquela máquina mortífera. Ela solta outra gargalhada enquanto trota para não cair, as sacolas batendo para todos os lados e ao final, se segura em uma das cadeiras, estabiliza-se o trote, num suspiro ainda sorrindo diz: - Ai, coisa de muié veia! A outra questiona: - muié veia? Ela se senta, acomoda-se confortavelmente em outra cadeira, acomoda também as sacolas, respira e diz: - é, passou dos trinta já é veia. Sua parceira muda de assunto e pergunta: - vai almoçar o que hoje, quiabo com frango? A outra, agora séria responde: - Com esse frio ...

Marinho Oliveira
27/07/2014

domingo, 29 de junho de 2014

GATO DE TELHADO


Sou como os gatos solitários
Passeando em noite escura pelos telhados
A contemplar estrelas cintilantes
Bordadas no manto azul do céu.
É na solidão que encontro com o meu Eu
A lapidar o melhor de mim.  

Não me roubem esse capricho!

Marinho Oliveira
29/06/2014

PLANOS



Planos?
Não! Já não os faço mais.
Alcancei o sublime estágio no qual a vida deve seguir o seu curso normal sem atropelos ou lamentos.
Na viagem que fiz nas minhas estações e que guiaram-me até aqui, calcei-me das sandálias da minha infância de quando o tempo para a vida parecia-me infinito e o céu apenas um lugar distante.
Hoje, a consciência diz-me que sou a própria vida; e, que o céu, eu já o tenho na palma das mãos.

Marinho Oliveira
29/06/2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Os Tolos!






Ao passarmos pelo tempo, vemos dissipar a névoa que ofuscava os nossos olhos a nos tornar míopes e cegos. É nesse momento que a lucidez vem bater em nossa porta, a debruçando sobre os nossos ombros, sem piedade, toda a verdade universal e única sobra a vida. E então, percebemos que passamos uma vida inteira mergulhados e perdidos nos sonhos das irreais ilusões e perdidos em utopias. A vida é se constrói de uma única coisa: realidade! E aquele que vive apenas sonho está no limbo dos vivos e não despertará para a vida e morrerás como um tolo sem consciência do seu próprio existir.




Marinho Oliveira
08/05/2014