domingo, 31 de outubro de 2010

UM RIACHO



Sou um riacho constantemente a fluir
Buscando na terra fresca meu leito estirar
Beijado pela relva no orvalho das manhãs
Depois de pernoitado nos braços de estrelas

Deixa-me fluir não interrompa meu leito
Não coloque pedras a desviar minhas águas
Se todas as imagens refletidas o espelho desfaz
Quero ser apenas aquilo que sou -um riacho

Não faça de mim o fantasma de nossas vidas
No rosto das crianças não nascidas de nós
Deixa-me passar, fluir, seguir o meu leito
A caminho do sal para me afogar no mar

As minhas margens serão pisoteadas - Pise
Queime minhas águas, congele minhas memórias
Mas deixa-me fluir no leito do meu destino
Na sombra de um riacho que pára - Morre 

É o registro de todos os simples e reles mortais
O meu registro, o seu, é o nosso destino
Um riacho que vem, que passa e que vai...

... ninguém sabe para onde - mas vai...

31/10/2010
Marinho Oliveira

A BESTA



De tão alegre canta o povo
Pela desgraça do ontem vivido
Por tantos sonhos interrompidos
Perdidos na barriga da ganância
Da ignorância dos cânticos falados
Nos versos mal cantados e desentoados
Da vida se escorregando entre os dedos
No veneno da língua da boca exalado
Canta a desgraça que e o alento já vem
Canta! Sonha com a liberdade ganha eternidade
Nos cânticos falados dos versos mal cantados
Da vida não vivida e na morte encerrada
Canta, povo maldito! Canta, sua Besta!
Que de tanto cantar a sua inglória
Afogar-se-á e morrerá na vitória
Sem dela gozar, sem dela viver!
Canta! Se o que sabes fazer, é cantar.

31/10/2010
Marino Oliveira

sábado, 23 de outubro de 2010

BRINCANDO COM PALAVRAS

                         

                    Menino                                                                 Travesso
                       Travesso                                                         Menino
                           Chafalhão                                             Galhofeiro
                                Galhofeiro                                    Chafalhão
                                    Brincador                               Moteteiro   
                                        Moteteiro                        Brincador  
                                            Garulho                    Parlador
                                               Parlador             Garulho                           
                                                   Levado         Da breca
                                                     Da Breca  Levado       
                                                       Prozador tagarela
                                                       Tagarela prozador
                                                      Da Breca     Levado       
                                                    Levado            Da breca
                                               Parlador                  Garulho                           
                                            Garulho                         Parlador
                                        Moteteiro                             Brincador  
                                  Brincador                                     Moteteiro   
                              Galhofeiro                                           Chafalhão
                         Chafalhão                                                   Galhofeiro
                       Travesso                                                           Menino
                  Menino                                                                    Travesso



23/10/2010
Marinho Oliveira

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SAPINHO SAPECA



Pula sapinho sapeca pula pula
Sapeca sapinho só quer pular
E de tanto que pula o bichinho
O sapinho ainda vai se cansar
Ele pára respira estica alonga
O sapeca sapinho vai se situar
Faz tanta tropelia o danadinho
Penso que ele quer me enganar
Outra vez se posiciona o sapeca
Arregala os olhos parece que vai
Desta vez pula o sapeca sapinho
Coitadinho! Se escorrega e cai.

21/10/20101
Marinho Oliveira

BANQUETE




Por que me olha assim desse jeito mulher
              Nos seus olhos vejo sede e fome de amor
                       Sou o seu banquete sonhado e desejado
                       Mas não bebe não come e morre de sede e de fome
                      Não se  faça  de rogada mulher e venha degustar-me 
                      Aproveite enquanto a carne ainda é verde
               Em breve passará o seu desejo a fome e a sede
E o banquete sonhado já será a sobra da mesa

21/102010
Marinho Oliveira

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NOVOS LÍRIOS

Por que fazeis vós
Dos teus olhos fontes d’águas
Jorrando ao teu peito bravias cachoeiras
Torrente de lagrimas debruçadas de tua face
Fazendo vermelhos os teus negros lindos olhos
Não deveis vós chorar  por um amor desgarrado
Voltam se arrependidas as ovelhas rebeldes
As lágrimas choradas jamais retornarão
E para sempre no tempo se perderá
Como o amor que um dia se foi
Rasgai vós de orelha a orelha essa tua boca vermelha
 Gargalhai  às  lágrimas cada gota  em  vão  derramada
 Ficai na ponta dos pés a girolar  rodopiando ao  vento
 Pisoteando  a insanidade desse teu  tristonho  lamento
 Padecido sofrido e vivido de amor  em um só coração
 Que  a  primavera  irá  florir  novos  lírios  nos campos

21/10/2010
Marinho Oliveira

domingo, 17 de outubro de 2010

SUPLÍCIO




Oh, lagrimas de minha alma
Que tão tristes destes olhos brotam
Que nesta face deslizam esmaecidas
E repousam neste peito lacerado

Oh, lagrimas de minha alma
Que de tão tristes não sabes cantar
Que conhecem o silêncio das noites
E descansam no claro da luz do luar

Oh, lagrimas de minha alma
Que na garganta trago embargado
 Um soluço ao peito coração acanhado
No vício de amor cicatrizes do pecado

Oh, lagrimas de minha alma
Que ardem meus olhos a nevoa-los
Encerrando aflito um coração ao peito
 Faça-me bendito a levar-me desse tormento

03/06/2010
Marinho Oliveira

PRESSÁGIOS




Quero aflar o sol de toda a tarde
Sorver a escuridão da nova noite
Contemplar o amarelo bordado
Aos olhos desse inopioso mortal

Quero sentir na catadura brisa fria
Afago do alento e o inaplicado fervor
Cingido ao peito um coração lanceado
Da mácula da vida do agouro sombrio

Quero imortalizar minha memória
Dos teus olhos decifrar a tua alma
Tragar do teu hálito o doce sorriso
Agradecido a mim por merecê-la

Quero aflar o sol de toda tarde
Quero sentir na catadura brisa fria
Quero imortalizar minha memória
Agradecido a mim  por merecê-la
Quando na lápide feliz repousar


02/06/2010
Marinho Oliveira

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O QUE GOSTO



Gosto da vida esmiuçada
Picada a pedaços miúdos
Peneirada em malha fina
Cozida na fervura do tempo
Gosto das minhas lembranças
Recortadas de circunstâncias
Da casualidade transformada
O abstrato pintado na tela dos olhos
Gosto do azul transformando em cinza
A escuridão que circunda a noite
Das nuvens que a lua cobrem
E das estrelas vistas da minha janela
Gosto de dormir em cama macia
De perceber o vento esmurrando a vidraça
Gosto do ladrar dos cães em madrugadas
Que se delambem do prazer de serem ouvidos
Gosto do entendimento das pelejas
Da harmonia e como tudo se acomoda
Gosto dos pecados dos homens
E de todas as minhas destemperanças.

16/10/2010
Marinho Oliveira

O ENCONTRO

O que vale a vida
Se é apenas um sopro no ar
Uma folha redemoinhando ao vento
Um gemido d'água a quebrar no rochedo
Lamento esganiçado engasgado de muco na glote
Explosão de fluxos
Contorções cólicas lamúrias
Expectativa alucinada e se arrebenta
O ventre de uma mulher se rasga e brota
Uma vida que marca o seu encontro com a morte
Todos sorriem felizes
Não si apercebem o que se fez
É mais um a perambular nesse inferno
Como aquela folha a redemoinhar ao vento
Igual ao gemido d'água a se quebrar no rochedo
No triste lamento esganiçado engasgado  de muco na glote
Viverá seu tormento
Até que cumpra o eu encontro
Em uma manhã tarde noite madrugada
Sinta em seus ombros um toque leve e gélido
Doce voz que murmura ao ouvido a hora da partida
E para sempre repousará na paz dos mortos misturando se ao pó
Marcamos nosso encontro
No dia em que brotamos para o mundo
Cada aniversário um passo certo rumo à morte
Alguns pobres coitados esperam por mais de século
Outros menos coitados esperam apenas por algumas décadas
Os mais afortunados muito pouco esperam  e logo se vão deste pedaço
Não sou um afortunado
Estou neste purgatório há décadas
Minha esperança é não chegar a ser um pobre coitado.

Belo Horizonte, 15/102010
Marinho Oliveira

terça-feira, 12 de outubro de 2010

NOITE INFERNAL

Sopra um vento infernal
sacode as árvores
derruba galhos e folhas
tombam as bananeiras
tremem as janelas as vidraças
parecem que vão se desprender.
O frio entra pelas frestas
encontra-me deitado
rompe os cobertores
penetra minha carne
congela-me os ossos
enrijece nas veias o sangue
trava-me a respiração
sinto que vou morrer
Oh, Céus! O que será isso?
Será o fim dos tempos?
Não. Não é o fim dos tempos.
É apenas uma noite
em que se abriram
as portas do inferno
E o Demônio e seus Súditos
resolveram abraçar os homens.
Demônios e seus Súditos?
Por quê Demônios e seus Súditos?
Por quê não será Deus e seus depravados Santos
acompanhados por sua Legião de sanguinários Anjos? .


 03/06/2010
Marinho Oliveira

ENCRUZILHADA

                                       

Salta-me aos olhos à luz da esperança
Vendo-a sorrindo em minhas lembranças
Claras manhãs ensolaradas felizes dias
Beirando os lagos lânguidamente as relvas
Onde brincam cisnes de dorso elegantes
Se aperto  aos olhos me vejo ao seu lado
Sorrindo a caminhar entre imensas árvores
Devagar e docemente sapateando gramíneas
Que se acomodavam deleitando ao passar
Como são doces as minhas lembranças de ti
Uma flor junto ao cabelo esvoaçando ao vento
Ovestido insistindo em despi-la aos meus olhos
Teu sorriso de menia discreto jeito de mulher
Quanta beleza quanta ternura e singularidade
A máquina fria não se continha em seus flashes
Quanta perplexidade a ti descobre-se em mim
Um louco apaixonado eterno menino crescido
Que de tanto amor e paixão por ti propalado
Me encontro e me perco nas encruzilhadas
Das minhas lembranças que me levam a ti
Na indecisão do teu prumo de amar.



10/06/2010


 Marinho Oliveira

UM HORIZONTE


Perdem-se no horizonte
os meus sentidos
Ao toque da brisa fria
desperto para vida
acariciado na face
Já cansada
Sinto enfim
a natureza
que convida à vigília
da vida
Não à Vida
aflitiva
de sonho
de ilusão
expectativa
veleidade e apoplexia
Mas
ao necessário
Simplesmente Viver!

 08/11/2008
Marinho Oliveira.

QUISERA



Quisera nesse instante
Mergulhar tuas mãos
Braços olhos ouvidos
Em todos os sentidos
Quisera nesse instante
Dos teus lábios beber
Sorver tua boca boca
Em teu corpo coração
Quisera nesse instante
Enlevar-me e degustar
Paladar sal suor corpo
Amor esmaecer e dormir
Quisera nesse instante
Apenas ser teu homem
 Quisera nesse instante
Fosses minha mulher

03/01/2010
Marinho Oliveira





PODE SER

Pode ser
que um dia
nunca mais falaremos
Mas enquanto
houver amizade
faremos as pazes de novo
Pode ser
que o tempo
 passe um dia e ele passará
Mas enquanto
permanecer a amizade
      um do outro há de se lembrar
Pode ser
que um dia
pelo destino nos afastemos
 Mas se formos
 amigos de verdade
 a amizade nos reaproximará
Pode ser
 que um dia
     não mais existiremos é fato
Mas se ainda
permanecer a essência
um para o outro nascerá
Pode ser
que um dia
 tudo acabe e acabará
Mas na amizade
todo reconstruiremos novamente
 de forma diferente
Sendo único
 inesquecível
cada momento
 que juntos viveremos
E para sempre
nos  lembraremos
Para sempre “Te amo”!

 02/05/2009
Marinho Oliveira