Mastigo a língua da vida que nem se treme
Não há resposta murmúrio ou lamentação
Todas as coisas são de um vogar inequívoco
Do maléfico se tornando áureo a ser cobiçado
Quanta preguiça há em minha alma mesquinha
Quanta preguiça há em minha alma mesquinha
Na escolha dos cobertores ralos curtos e frívolos
Contentando se na gula que não agasalha o corpo
Que se descaminha no compasso dos dias curtos
Num canto quebrado e renegado ao pó que será
Num canto quebrado e renegado ao pó que será
A lama na lãma da pia batismal do clérigo sinal
Não há esperança a buscar no infinito tão finito
Nesta soberba vazando-me por entre os dedos
E só contemplam meus olhos a supérfula beleza
E só contemplam meus olhos a supérfula beleza
Melhor seria encerrar-me no porão da lápide fria
A aturar a convivência da infame boçalidade
Não sinto orgulho em reconhecer minha torpez
Sou apenas um confessor da minha inglória
Das coisas miúdas registradas em pompa e gala
Falseadas na ilusão dos miseráveis de esperança
Cansei da glória dos homens e quero descansar
Repousar sereno aos pés de um riacho manso
Onde o murmurinho das águas quebram dóceis
Beijando gramíneas ao pé do seu leito de repouso.
Marinho Oliveira
13/05/2012
13/05/2012