Parece-me que tudo nesse Universo é uma conspiração, uma luta de seres imaginários, invisíveis, titânicos! Com poderes de nos colocar sobre um tabuleiro de xadrez e nos eliminar conforme o sarcasmo, o humor e a prepotência de cada um deles. Às vezes esses mesmos seres nos iludem, nos oferecem um pequeno agrado nos estendendo uma de suas mãos como se uma ponte para a nossa travessia do vale. E como criança, sorrimos, aceitamos, certos e confiantes na boa intenção de uma alma generosa e nobre. Mas logo em seguida revive em nós o pesadelo da Branca de Neve ao degustar de uma deliciosa e inocente maçã. Ah! Como eu gostaria de ter o meu passado apagado e poder recomeçar tudo de novo. Mas sei que tudo isso é uma utopia, quase um delírio! Não se faz uma cirurgia sem deixar cicatrizes. E me sinto como se nunca estivesse saído das mesas onde o bisturi do destino é o eterno e nunca se cansa de nos dissecar. Quantas marcas, quantas cicatrizes! E o mais triste de tudo isso é saber que muitas dessas cirurgias não me curaram o mal. Foram elas inúteis! Mas é a vida e o tabuleiro está posto. Sei que sou apenas mais uma peça exposta sobre a mesa a mercê do mais hábil jogador. E enquanto isso sigo fazendo planos e sonhos. Utopia? Talvez a própria vida o seja.
Marinho Oliveira
30/06/02012