Sou um riacho constantemente a fluir
Buscando na terra fresca meu leito estirar
Beijado pela relva no orvalho das manhãs
Depois de pernoitado nos braços de estrelas
Deixa-me fluir não interrompa meu leito
Não coloque pedras a desviar minhas águas
Se todas as imagens refletidas o espelho desfaz
Quero ser apenas aquilo que sou -um riacho
Não faça de mim o fantasma de nossas vidas
No rosto das crianças não nascidas de nós
Deixa-me passar, fluir, seguir o meu leito
A caminho do sal para me afogar no mar
As minhas margens serão pisoteadas - Pise
Queime minhas águas, congele minhas memórias
Mas deixa-me fluir no leito do meu destino
Na sombra de um riacho que pára - Morre
É o registro de todos os simples e reles mortais
O meu registro, o seu, é o nosso destino
O meu registro, o seu, é o nosso destino
Um riacho que vem, que passa e que vai...
... ninguém sabe para onde - mas vai...
... ninguém sabe para onde - mas vai...
31/10/2010
Marinho Oliveira