Quero hoje cantar a cantiga dos tristes
Dos homens que trazem nebulosas almas
Daqueles que nunca tiveram um romance
Um segredo ou mistério para se guardar
Quero hoje cantar a cantiga dos choram
Das mulheres de alma presa em porta-retratos
Daquelas que nunca foram levadas às estrelas
Num doce suspiro ou gemido de agudo prazer
Quero hoje cantar a cantiga dos rebentos
Das inocentes crianças embaladas em sonhos
Nos quintais a brincar princesas e príncipes
Plebeus do amanhã depois da noite e do despertar
Quero hoje cantar a cantiga dos micróbios
Dos que sonharam e viveram na eterna ilusão
Daqueles que filhos criaram e morrem sozinhos
Aos cuidados de filhos estranhos e de outros
Quero hoje cantar a cantiga da minha solidão
Das mulheres que amei em todas as estações
Daquelas que apenas vampirizaram meus sonhos
Hoje morrem sozinhas iguais a mim fitando o ontem
Quero hoje cantar a cantiga de todos os seres
Quero hoje cantar a cantiga de todos os seres
Dos homens que trazem nebulosas almas
Das mulheres de alma presa em porta-retratos
Das inocentes crianças embaladas em sonhos
Dos que sonharam e viveram na eterna ilusão
Das mulheres que amei em todas as estações
E cantarei por minh'alma presa e despresada
Marinho Oliveira
16/11/2010
Marinho Oliveira
16/11/2010