segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A PROCURA DA HORA

Acelero o dia a espera da noite
Chega a noite e apressada se vai
Outro tempo perdido nesta vida
Tantas vidas perdidas neste tempo
Maldito o homem das invenções
Que fez contar e o tempo marcar
Deu-me a idéia do novo e do velho
Anulou as estrelas do meu despertar
Olhando o céu nada de novo vejo
Apenas o azul  do globo ocular
Pontilhado da luminosa malha
Não me diz quem sou nem o que és
Vejo brotar nos teus olhos a vida
Florescer nos teus lábios o desejo
No teu corpo me perco em sonhos
Acordo na vida do tempo marcado
Incógnita ciência dos homens
Qual segredo escondes tu de mim
Dá-me o elixir da longa vida
Para os homens ao tempo parar
Quero o eterno sono dos mortos
Num esquife o merecido descanso
E que vá em paz este sabagante
Livre dos amigos inimigos e tais
Não às lembranças dos homens
Não às lágrimas ávidas de mulheres
Sim à cócega no belisco dos vermes
Num doce sabor a degustar de mim.

 03/07/2009
Marinho Oliveira