O que vale a vida
Se é apenas um sopro no ar
Uma folha redemoinhando ao vento
Um gemido d'água a quebrar no rochedo
Lamento esganiçado engasgado de muco na glote
Explosão de fluxos
Contorções cólicas lamúrias
Expectativa alucinada e se arrebenta
O ventre de uma mulher se rasga e brota
Uma vida que marca o seu encontro com a morte
Todos sorriem felizes
Não si apercebem o que se fez
É mais um a perambular nesse inferno
Como aquela folha a redemoinhar ao vento
Igual ao gemido d'água a se quebrar no rochedo
No triste lamento esganiçado engasgado de muco na glote
No triste lamento esganiçado engasgado de muco na glote
Viverá seu tormento
Até que cumpra o eu encontro
Em uma manhã tarde noite madrugada
Sinta em seus ombros um toque leve e gélido
Doce voz que murmura ao ouvido a hora da partida
E para sempre repousará na paz dos mortos misturando se ao pó
Marcamos nosso encontro
No dia em que brotamos para o mundo
Cada aniversário um passo certo rumo à morte
Alguns pobres coitados esperam por mais de século
Outros menos coitados esperam apenas por algumas décadas
Os mais afortunados muito pouco esperam e logo se vão deste pedaço
Não sou um afortunado
Estou neste purgatório há décadas
Minha esperança é não chegar a ser um pobre coitado.
Belo Horizonte, 15/102010
Marinho Oliveira