terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O LIBERTAR



Ao longe as guardas da cruz silenciosamente impedem o libertar de minha alma no martírio da crucificação, ao impedir que suas irmãs cedam aos clamores de um simples mortal que desesperadamente insiste em lutar por um grande amor que tomou conta de todo o seu existir.

Rubídea a domar-me a cabeça, Mimosa e Pálida a conter-me as mãos e os braços, Intrometida crava-me sem piedade o coração querendo purificá-lo daquilo que para mim é o mais puro e sublime dos sentimentos, e a Estrela de Magalhães a amarrar-me os pés insanamente a impedir o meu caminhar em busca do amor a que todos temos o sagrado direito de viver.

Ao protegerem-me de mim mesmo vão escravizando o meu EU, tornando-o apenas uma centelha daquilo que se pode querer e esperar de um homem. Hoje sou um escravo de outros caprichos e de outros sonhos, e sentindo-me tão impotente que falta-me forças para o libertar desse impossível sereno e louco amor.

Marinho Oliveira
28/01/2014