... era uma vez,
Um caçador de sonhos que andava pelas florestas encantadas caçando os sonhos perdidos para resgata-los, estudá-los, e assim encontrar uma fórmula que fosse capaz de torná-los novamente vivos e idealizáveis. De súbito, estacou-se junto ao pé de uma rocha que formava frente aos seus olhos um paredão coberto de verdes musgos e outras espécies vivas e raras. O caçador olhou para a rocha contemplando-a como se contemplasse um tesouro perdido e que acabara de ser encontrado. Olhou-a em todos os sentidos, para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda, quando em um de seus movimentos pousou na íris dos seus olhos a mais linda de todas as flores até então vista por aquele caçador de sonhos. Ele ficou ali, parado, estático, por alguns segundos, e quem sabe por minutos. E o primeiro pensamento que lhe afligiu o cérebro quando recobrou do deslumbramento, foi o de a colher nas palmas das suas mãos para dar a ela novo endereço. Ficou ele na ponta dos pés e se esticou como se fosse um cipó, mas não alcançou a maravilha desejada. Refletiu por alguns instantes qual seria a melhor decisão e concluiu: - construirei um pequeno jirau e pronto, ela estará em breve nos meus domínios. Recolheu, então, no tempo, alguns elementos de que julgava necessitar; e assim, o seu jirau ficou pronto. Feliz de sua obra subiu sobre ele e se ergueu como antes, mas novamente o objeto de seu desejo estava fora do seu alcance. Ela fugia-lhe das mãos como que num capricho, sempre se posicionando um pouco além do seu alcance. Como um bom caçador que era, desses que nunca desiste, saltou do jirau e foi recolher novos elementos, para assim, aumentar a altura e elevar-se ao nível da flor que buscava colher. Fez isso repetida vezes até chegar à exaustão de seus músculos, e, sempre que erguia o jirau a flor aparecia um pouco mais acima naquele paredão de rocha coberta de verdes musgos. Esbaforido da infrutífera corrida em que se lançara sentou-se e do alto do jirau, agora, olhava o paredão de cima para baixo, para a esquerda e para a direita. Sentia-se desolado da altura em que se encontrava, distante da flor dos seus sonhos que parecia tão perto, quase ao seu alcance, e ao mesmo tempo, tão longe e inatingível. O caçador não entendia o porquê, da flor estar ali tão perto e não se permitir ser colhida por ele. Pensou tratar-se de uma ilusão provocada e advinda dos deuses para perturbar-lhe o espírito, e como não queria conflito, resolveu, cuidadosamente, descer do jirau que era alto. Pois não queria cair, não queria se ferir. Assim, ele foi descendo cuidadosamente degrau por degrau até que sentiu a ponta dos seus pés tocarem novamente o chão. Cuidou ele de desmontar a sua obra para não atrapalhar a outros, que por ventura, fossem se aventurar por aquelas invernadas de sonhos perdidos. E para o seu espanto, bem junto ao pé do paredão, misturada aos musgos verdes, estava outra flor tão rara e bela quanto àquela exaustivamente caçada e perseguida por ele. Ela estava alí como se estivesse a esperá-lo a vida inteira. Então, o caçador olhou novamente para cima, contemplou no alto do paredão de verdes musgos aquela cobiçada flor que o fizera despender vigorosa energia, e agora à sua vista, ela já não estava mais tão bela, tão efusiva aos seus olhos. Ele sorriu de sua tolice, baixou na testa a aba do seu chapéu de palha, como o fazem as crianças envergonhadas dos seus atos. E altivo, apoiado na planta dos pés, curvou sobre os joelhos e estendeu cuidadosamente as mãos para colher nos braços a flor que estivera desde o princípio aos seus pés. Para cuidar daquela espécie rara que o escolheu, o caçador já não se embrenha mais nas florestas encantadas e de sonhos perdidos, mas também não reclama por isso. É imensamente feliz na sua nova forma de vida. Parece até não mais se lembrar das florestas por onde antes se aventurava. Porém, a flor sob o seu domínio, ele a mantém livre e com o devido zelo que é peculiar a todo bom caçador de sonhos. Contudo, uma coisa ainda lhe causa espanto: - é que a flor ao seu lado, a cada manhã fica ainda mais bela.
Um caçador de sonhos que andava pelas florestas encantadas caçando os sonhos perdidos para resgata-los, estudá-los, e assim encontrar uma fórmula que fosse capaz de torná-los novamente vivos e idealizáveis. De súbito, estacou-se junto ao pé de uma rocha que formava frente aos seus olhos um paredão coberto de verdes musgos e outras espécies vivas e raras. O caçador olhou para a rocha contemplando-a como se contemplasse um tesouro perdido e que acabara de ser encontrado. Olhou-a em todos os sentidos, para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda, quando em um de seus movimentos pousou na íris dos seus olhos a mais linda de todas as flores até então vista por aquele caçador de sonhos. Ele ficou ali, parado, estático, por alguns segundos, e quem sabe por minutos. E o primeiro pensamento que lhe afligiu o cérebro quando recobrou do deslumbramento, foi o de a colher nas palmas das suas mãos para dar a ela novo endereço. Ficou ele na ponta dos pés e se esticou como se fosse um cipó, mas não alcançou a maravilha desejada. Refletiu por alguns instantes qual seria a melhor decisão e concluiu: - construirei um pequeno jirau e pronto, ela estará em breve nos meus domínios. Recolheu, então, no tempo, alguns elementos de que julgava necessitar; e assim, o seu jirau ficou pronto. Feliz de sua obra subiu sobre ele e se ergueu como antes, mas novamente o objeto de seu desejo estava fora do seu alcance. Ela fugia-lhe das mãos como que num capricho, sempre se posicionando um pouco além do seu alcance. Como um bom caçador que era, desses que nunca desiste, saltou do jirau e foi recolher novos elementos, para assim, aumentar a altura e elevar-se ao nível da flor que buscava colher. Fez isso repetida vezes até chegar à exaustão de seus músculos, e, sempre que erguia o jirau a flor aparecia um pouco mais acima naquele paredão de rocha coberta de verdes musgos. Esbaforido da infrutífera corrida em que se lançara sentou-se e do alto do jirau, agora, olhava o paredão de cima para baixo, para a esquerda e para a direita. Sentia-se desolado da altura em que se encontrava, distante da flor dos seus sonhos que parecia tão perto, quase ao seu alcance, e ao mesmo tempo, tão longe e inatingível. O caçador não entendia o porquê, da flor estar ali tão perto e não se permitir ser colhida por ele. Pensou tratar-se de uma ilusão provocada e advinda dos deuses para perturbar-lhe o espírito, e como não queria conflito, resolveu, cuidadosamente, descer do jirau que era alto. Pois não queria cair, não queria se ferir. Assim, ele foi descendo cuidadosamente degrau por degrau até que sentiu a ponta dos seus pés tocarem novamente o chão. Cuidou ele de desmontar a sua obra para não atrapalhar a outros, que por ventura, fossem se aventurar por aquelas invernadas de sonhos perdidos. E para o seu espanto, bem junto ao pé do paredão, misturada aos musgos verdes, estava outra flor tão rara e bela quanto àquela exaustivamente caçada e perseguida por ele. Ela estava alí como se estivesse a esperá-lo a vida inteira. Então, o caçador olhou novamente para cima, contemplou no alto do paredão de verdes musgos aquela cobiçada flor que o fizera despender vigorosa energia, e agora à sua vista, ela já não estava mais tão bela, tão efusiva aos seus olhos. Ele sorriu de sua tolice, baixou na testa a aba do seu chapéu de palha, como o fazem as crianças envergonhadas dos seus atos. E altivo, apoiado na planta dos pés, curvou sobre os joelhos e estendeu cuidadosamente as mãos para colher nos braços a flor que estivera desde o princípio aos seus pés. Para cuidar daquela espécie rara que o escolheu, o caçador já não se embrenha mais nas florestas encantadas e de sonhos perdidos, mas também não reclama por isso. É imensamente feliz na sua nova forma de vida. Parece até não mais se lembrar das florestas por onde antes se aventurava. Porém, a flor sob o seu domínio, ele a mantém livre e com o devido zelo que é peculiar a todo bom caçador de sonhos. Contudo, uma coisa ainda lhe causa espanto: - é que a flor ao seu lado, a cada manhã fica ainda mais bela.
Marinho Oliveira
01/06/2012
01/06/2012