Debruço no ombro da vida para cantar e soluçar a morte
Abro os braços para me pregar na cruz dos homens
Escancaro a garganta para gargalhar da velha sombra
Cruzando as pernas sento-me para descansar do tempo
O suor que da minha fronte brota é de sal regado a água
O ar que expiro é o veneno exalado de um corpo não são
Os meus pensamentos são pontos que interrogam a mim
No clamor da verdade que nenhum mortal jamais elucidará
A vida não passa de um travesseiro onde repousa a soberba
Dos animais insanos vaidosos de sua razão sem racionalidade
Daqueles que proselitizam conforme o fruto que semeiam
Ao fazer da infelicidade alheia um trono seu próprio sentar
Não corro caminho sereno na certeza que algum dia chegarei
Ao ponto de partida onde largada éo princípio é o fim do começo
Onde as flores mortas colorem a vida daqueles que a perdeu
E juntos fenecem nos braços da mãe terra cobertos de vermes
Marinho Oliveira
07/02/2012
07/02/2012