Sentindo o cheiro dessa terra maldita
De uma mulher rasguei o seu ventre
E me fiz brotar dos seus urros e berros
Para constituir-me em mísero folguedo
Para não ser devorado tornei-me urso
Para não ser devorado tornei-me urso
Neste solo de gentes selvagem e inútil
Fatiando em Norte Sul Leste Oeste
Essa vida socranca e quase imprestável
Comecei a provar da vida no pedaço Sul
A princípio amarga e quase indigesta
Mas fui me acostumando a esse azedume
A empurrar-me para o pedaço do Oeste
Ao sarcástico destino da minha outra fatia
Nesta lambuzei-me de néctares a soberbas flores
Das mais variadas cores sabores e canções
Que tão célere se foi e já me encontro no Leste
Aqui as flores trazem consigo espinhos amargos
No néctar que é parco o ferrão as escondidas
E para enfrentar o lado Norte já me preparo
Donde serão impiedosas as lanças ao urso
Até que lhe transpasse coração a derradeira
Entre os pensamentos que surgem me agora
Nada valeu ou valerá essa torpe e infame vida
Que o descartá-la n'água corrente melhor seria
27/05/2013
Marinho Oliveira