segunda-feira, 27 de maio de 2013

UMA GOTA DE VIDA



Sentindo o cheiro dessa terra maldita

De uma mulher rasguei o seu  ventre

E me fiz brotar dos seus urros e berros

Para constituir-me em mísero folguedo

Para não ser devorado tornei-me urso

Neste solo de gentes selvagem e inútil

Fatiando em Norte Sul Leste Oeste

Essa vida socranca e quase imprestável



Comecei a provar da vida no pedaço Sul

A princípio amarga e quase indigesta

Mas fui me acostumando a esse azedume

A empurrar-me para o pedaço do Oeste

Ao sarcástico destino da minha outra fatia


Nesta lambuzei-me de néctares a soberbas flores

Das mais variadas cores sabores e canções

Que tão célere se foi e já me encontro no Leste



Aqui as flores trazem consigo espinhos amargos

No néctar que é parco o ferrão as escondidas

E para enfrentar o lado Norte já me preparo

Donde serão impiedosas as lanças ao urso 

Até que  lhe transpasse coração a derradeira



Entre os pensamentos que  surgem me agora

Nada valeu ou valerá essa torpe e infame vida

Que o descartá-la n'água corrente melhor seria




27/05/2013
Marinho Oliveira