Rasguei meus pensamentos de homem sano e de paz
Ao ver nas estrelas o brilho dos olhos da mulher amada
Contemplei apaixonadamente cada fio de luz fluente
Irradiado da retina dos olhos de Ires a minha Deusa
Não era os olhos dela que eu via na noite escura a brilhar
Era a tremula lanterna da via sobre a minha, nossas cabeças
Mas mesmo assim permaneci quito e em silêncio a suspirar
No meu corpo de menino envolto de sua mãos a chorar
E na solidão da vida a dois me perdi nos arroubos do homem
Não me encontrei no leito, no chão ou no telhado da casa vazia
Estava preso nas garras da morte dos homens e de todos nós
Despido da sorte em perdê-la para outro amado estrondeiro
Quisera eu ser tão nobre quanto meu rival algibeirado de ouro
Andar de alazão aloirado em disparada ao vento das nuvens
Ter no bolso a cobiça de toda donzela enfeitiçada de riqueza
E no coração cravada a espada de amor eterno e luta sem fim
Eu vivi e senti um instante de luz irradiada da vida colorida de paz
E se esse instante não foi suficiente para a minha glória alcançar
Que dispa-me de todo os pelos deste corpo moribundo arquejado
E lança-me ao imundo covil dos homens para vermes alimentar
Marinho Oliveira