segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

AME POR UM DIA

Em silêncio sorrindo para todos
Não resta outra vida senão finório
Estar alinhado e fingir felicidade
Aos ímpios neste mar de maldade

E vazia de sentido se torna a vida
O choro trazido pelo sevo desengano
Onde jamais se poderia imaginar
Caber tanta dor no peito de homem

E apertado o coração exprimido 
Torvo de vida num  mecânico pulsar
Já não sonha merecedor de ilusão
De um querer fiel do amor maior
  
Se sabes o que o esperas no amanhã
Para que correr em busca do amor
Que garlhando cravará teu peito 
A fazer de ti o mais triste dos homens

Então,
ame por um dia e sofra para sempre!

Marinho Oliveira
23/12/2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

SOLIDÃO A DOIS


Ávidos os meus olhos a procura dos teus
Que se escondem dos meus na paisagem de ti

Já não encanta a ti minhas juras de amor
Levando-me a loucura de um desejar maior

Quisera eu mergulhar nos teus pensamentos
Para descobrir o teu sofrer de um outro querer

E nesta solidão que junto a ti me encontro
A angústia é o conivente das minhas noites desperto

Já não vejo mais os teus cabelos ao vento
Nem o sorriso cativante nos lábios da mulher amada

E este teu acabrunhamento aterrorizante
Assusta-me! Fazendo de mim o amante abandonado

Mas vejo tristeza, angústia e lágrimas de dor 
Por Deus, vá! Não quero mais que sofras junto a mim


Marinho Oliveira


21/12/2013

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PRENÚNCIO

Todo o seu existir era triste
Até a saudade que sentia
Na dor que o atormentava
Em felicidade passageira

Imergido em pensamentos
Solitário a se questionar
Onde anda o grande amor
Que nunca tive e não vivi

No perfume das estrelas
Em lábios rubros de batons
Escondendo se de mim
Nas asas dos beija-flores

O amor não é para todos
Satisfaz-se ao concluir
Melhor sozinho ter a vida
Que com outro a dividir

...
E se adormece em solidão.


Marinho Oliveira
17/12/2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

LÁGRIMAS DA PAIXÃO

Mesmo que o amor o torture, sorria
Não compartilhe tristeza a ninguém
As chagas da paixão são indivisíveis
Mesmo que profundas cicatrizarão

São para alma  que choram os olhos 
Embargada de voz a seca garganta
No ardor febril d'um corpo a ausência
Que outra presença não suplantará

E tudo findará ao passar pelo tempo
Da cruz fendia ao peito se libertará
Aquela saudade doida será lembrança
Da gota de lágrima na face a queimar

E nesse momento será plena a vida 
Apagar-se-á saudades e lembranças
Não haverá tristezas nem lágrimas
Nem sonhos no sono que dormirás
....
Pois partirás cozinho como viestes


15/12/2013
Marinho Oliveira

domingo, 15 de dezembro de 2013

TIMONEIRO ILUDIDO



Você sabe que o amor é mesmo assim
Que a distância é o infinito no eterno
Elo perene e ao mesmo tempo tão frágil
Que dissolve ou eterniza sentimentos

Todo grande amor é  um mar de solidão
Navegado por uma nau flutuante a deriva
Tripulado de um iludido e ébrio timoneiro 
Do canto da sereia que o levará a náufrago

O amor é mesmo assim e você o bem sabe
É como céu pendurado de estrelas no azul
E que a beleza não passará de uma noite
A se derreter nos raios do sol da manhã

Todo grande amor é imenso mar de ilusão
Não há outro que equivalha ao primeiro
Assim como canta o poeta sozinho a sua dor
O perene eternizado será sempre ímpar
E o amor um invisivel sonho de felicidade
Cantado por loucos no oceano da paixão

Marinho Oliveira
15/12/2013


sábado, 14 de dezembro de 2013

CÁLICE VAZIO

Não bebi da vida um gole de amor;
Não bebi da vida um beijo de amor;
Não bebi da vida um abraço de mor;
Não bebi da vida uma lágrima de amor;
Não bebi da vida uma despedida de amor!
Por isso:
Não darei à vida um gole de amor;
Não darei à vida um beijo de amor;
Não darei à vida um abraço de amor;
Não darei à vida uma lágrima de amor.
Não darei à vida uma despedida de amor;
Não cantarei à vida um gole de amor;
Não cantarei à vida um beijo de amor;
Não cantarei à vida um abraço de amor;
Não cantarei à vida uma lágrima de amor;
Não cantarei à vida uma despedia de amor!

Quando partir terei a honra de estar sozinho
Não deixarei saudades e corações enlutados
Nem lágrimas e histerias de um falso amor
 ...
Serei apenas eu no barco fúnebre da partida

Marinho Oliveira
14/12/2013

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CANÇÃO AO POETA



Por que os bons poetas estão todos mortos?

Os poetas vivos contemporâneos de todos nós
Não são bons o bastante para serem lidos
Se os leem o fazem para criticá-los e não amá-los
Mal sabendo compreender a sua essência
Construída do conflito de um existencial de egos
Trazendo cravejado nos olhos o bem e o mal
E no coração de criança a chaga do espinho da vida

Ah, meus amigos de outrora ou do tempo futuro!

O poeta não existe para ser compreendido ou questionado
Ele é um ser híbrido filho dos deuses e dos diabos
Sua alma tem o fogo do inferno e o trovão dos céus
No sangue a lava do vulcão incandescente prestes à erupção
De espírito em tormenta n’alma dos navegantes dos mares
O poeta foi criado para sofrer as dores do mundo por você
Para amar a todos  e chorar por nunca ter sido amado
Escrever canções sem nunca cantá-las para a lua
Pois sabe que sua obra jamais terá a dimensão de si

Ser poeta é ser devorado vivo, é ser o banquete dos vermes que se alimentam de sonhos


29/10/2013
Marinho Oliveira