quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A MALDIÇÃO




Hoje os meus olhos trouxeram-me os mistérios ao dissipar, desnudando toda a nuvem reluzente das belas Catedrais. Tudo se deu muito rapidamente, como num raio a descer dos céus, no momento em que os meus olhos se cruzaram nas cruzes do alto das torres e que eram mais de uma.

Vi brotar daquelas cruzes do suntuoso cume da edificação, sangue que borbulhava em torrentes borbulhões. E não era o sangue de cristo vindo do morro do calvário fruto de sua crucificação. Era  sangue dos miseráveis puro sangue de os nossos irmãos. 

O sangue descia como chuva refazendo a coloração, paredes antes brancas transformando-se agora em vermelho da mais pura vermelhidão. E aquele sangue se espalhava dominando a ocasião. Tinha sangue nos umbrais, janelas, portas, púlpito, teto e altar; tinha sangue até no sagrado cálice e na hóstia na consagrar.


O religioso extasiado, ensandecido foi ao sangue se banhar, em toda aquela abundância que até na calçada deitava a se acumular. Ele gritava como besta no banquete a deleitar: mais, mais, mais meus irmãos; vamos todos mais sangue doar. 

Neste instante a lucidez retomou-me a consciência, e, dos meus olhos gotejando angustia, eu vi, que aquele sangue era o sangue dos miseráveis que abstinham de se alimentar a si e aos filhos, porque o vampiro, a besta precisa festejar.



Marinho Oliveira

12/12/2012