quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

BRINQUEDO ÀS AVESSAS


Ah, meus amigos! A vida, às vezes, nos parece como a um brinquedo sem graça, que para nos distrair e nos enganar a todo momento se camufla mudando de cor, som e formas. E o pior disso tudo é quando o brinquedo escolhido somos nós para nós mesmos. Às vezes pensamos que o fardo é muito pesado e que não seremos capazes de suportá-lo até cruzarmos a travessia da montanha; mas nos enganamos quanto a isso também. A vida é ardilosa! Pois vêm os primeiros segundos de angústia e solidão, os minutos seguintes, as horas, os dias, as noites, semanas, meses e até anos; de repente estamos dando os primeiros passos, mesmo que miudinhos pela descrença e cansaço do corpo. Quando menos esperamos a coisa toda já foi superada, aquele fardo já ficou para trás e pouco nos lembramos dele. Outros já nos foram entregues e estamos agora caminhando a passos largos rumo a outras montanhas e outras travessias. E daquele fardo pesado e do brinquedo sem graça de que fomos feitos naquele momento passado, só nos restam às cicatrizes que nos fazem ainda mais, belos e fortes enquanto pessoa. Mas não se engane, tudo isso é o brinquedo construído em todos nós. Não sei da vida de ninguém, pois não tive a honra de ser convidado para esse banquete. Falando a verdade bem de perto ao seus olhos, pouco sei da minha própria vida. Pois ela parece estar sempre a se esconder de mim. Mas acompanho a vida ao observar a lua, o sol e as estrelas que ficam a rodopiar nas alturas disfarçando sobre as nuvens para nos analisar. Por isso, nun
ca teremos a oportunidade de brincarmos sozinhos com o nosso brinquedo que é a vida em nossa longa ou curta jornada. Sempre teremos mãos ocultas e invisíveis estendias para nos reerguer e também para nos afundar conforme suas vontades. Se um dia pousar em sua janela um belo pássaro a cantar, expulse-o de lá, ponha-o a voar, ele está querendo enfeitiçá-lo e levar seu encanto para a fábrica dos brinquedos que não são recuperados. Mas não deixes nunca de observá-los quando estiverem eles a voar nas alturas em múltiplas arribações, tentemos segui-los mesmo sem ter asas. E que voemos todos nesse nosso brinquedo que é vida antes que ela se quebre por puro divertimento de nos enganar.


Marinho Oliveira