O que a insônia faz conosco! Nesta madruga em meio as minhas reflexões, comecei a divagar sobre as espécies animais desse nosso planeta e que são do meu conhecimento; pois há milhares que das quais não faço idéia da sua existência dada a minha ignorância. Mas, sobre as espécies existentes e que são do meu conhecimento. Desses, poucos são os chamados solitários, mas quando encontram com um de sua espécie não o ataca, ignora e segue o seu caminho. Pois é, realmente, somos um tipo de animal muito diferente. Será, que, talvez seja porque pensamos? É. Deve ser isso! Pois desde cedo nossos pais nos ensinaram a não falar com estranhos; que deveríamos desconfiar das pessoas e de suas intenções, mesmo quando elas nos parecessem boas, porque poderia haver aí uma segunda ou terceira intenção que seria a de nos prejudicar. Pois bem, assim crescemos e nos tornamos independentes e corajosos! Quando estamos caminhando durante o dia em uma via pública e de muito movimento, esbarramos e até trombamos uns nos outros; fazemos cara feia e até mesmo sem muito esforço para isso. Outras vezes nem olhamos para nos desculpar da nossa imprudência; pois está claro, é dia, e somos muito corajosos e atrevidos para nos desculpar com o semelhante. Acontece também nos espaços públicos onde nos reunimos em grande número para comemorar ou protestar alguma coisa. Mas, à noite a coisa muda! A nossa coragem desaparece e deixamos de ser adultos valentões e voltamos a ser criança medrosa do bicho papão embaixo da cama ou dentro dos guarda-roupas. Se estamos caminhando sozinhos a noite, nos mesmos lugares que caminhavamos corajosamente durante o dia, e ao olharmos para trás percebermos a presença de outro, ao invés de diminuirmos o passo para sermos dois e caminharmos juntos, apertamos o passo para fugir do semelhante que poderá ser, na nossa imaginação, um que nos ofereça risco de danos materiais ou morte. Vemos no outro uma besta selvagem! E se outro surge em sentido contrário ao nosso, já nos preparamos para um possível ataque. Só nos aliviamos quando ele, também desconfiado, procura passar mantendo certa distância do nosso ponto de caminhada. Somos realmente um bicho muito estranho! Os outros animais se acasalam para procriarem; nós nos acasalamos por puro interesse material ou por tesão, prazer pelo sexo; mas para amenizar damos a isso no nome de amor que finda quando acaba o tesão pela pessoa ou objeto do interesse disputado. E depois de ler uma meia dúzia de livros escritos por esses mesmos animais que falam, pensam, e por isso são chamados de racionais começamos a pregar a paz mundial e a fraternidade entre os mesmos. Alguns rezam e oram o dia inteiro, mas quando param para descansar dão ordens para lançar bombas, foguetes e mísseis para matar o semelhante, só por não comungarem das mesmas idéias e objetivos. Somos esse tipo de bicho. Todos nós! Goste você ou não, também faz parte desse mesmo universo ainda que não tenha consciência disso. E o mais irônico disso tudo é que ao elegermos alguns desses animais para administrar a nossa colônia e cuidar do nosso coletivo, ainda esperamos por parte deles honestidade e generosidade para com os demais. Não é muito estranho, engraçado e até mesmo bizarro isso? Bom, fico pensando: talvez seja porque somos racionais. É. Deve ser isso!
Marinho Oliveira
13/12/2012
13/12/2012